Israel reage à Bienal de Veneza após exclusão de pavilhões russo e israelense da disputa por prêmios

Artista Belu-Simion Fainaru critica decisão do júri, que tornará Israel e Rússia inelegíveis às principais premiações da edição de 2026

Foto: Luc Castel/Getty Images

A participação de Israel na 61ª Bienal de Veneza voltou ao centro do debate após o júri internacional anunciar que não concederá prêmios a artistas que representem países cujos líderes enfrentam acusações de crimes de guerra ou contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional. A medida afeta diretamente Israel e Rússia, embora ambos os países continuem oficialmente presentes na mostra.

Representando Israel na edição de 2026, o artista Belu-Simion Fainaru reagiu duramente à decisão. Em comunicado, ele afirmou que a medida cria um “ambiente hostil e degradante” e configura uma forma de discriminação baseada na origem nacional. Para Fainaru, a posição do júri contradiz o próprio princípio da Bienal, que historicamente se apresenta como uma plataforma de liberdade artística, diálogo e intercâmbio cultural.

A controvérsia surge em meio a crescentes tensões políticas em torno da Bienal. A volta da Rússia à exposição, após sua ausência nas últimas edições, provocou críticas de artistas, curadores e autoridades europeias. Paralelamente, a presença de Israel continua a mobilizar debates iniciados em 2024, quando o pavilhão do país se tornou foco de protestos relacionados à guerra em Gaza.

Embora a decisão do júri não impeça a participação oficial desses países, ela altera significativamente a dinâmica simbólica da premiação, tradicionalmente um dos momentos mais importantes da Bienal. O gesto reflete uma tentativa de responder às pressões éticas e políticas que atravessam o sistema internacional da arte, cada vez mais chamado a se posicionar diante de conflitos globais.

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