Dois mais dois podem ser três, assim como cinco mais cinco vez em quando é igual a quatro. Ao menos, é essa a matemática da pintura de Eduardo Sued. Ao somar seja um campo de cor azul justaposto a um vermelho, um roxo a um amarelo ou qualquer outra coisa, nem toda cor acaba conseguindo ser um campo de cor. Algumas, na verdade, não são mais do que faixas. Só que, justamente pelo papel controverso da interação dessas faixas sobre os campos, é que cada uma dessas cores parece capaz de tomar certo isolamento do restante e se apresentar ao mundo como um fato. E se a maneira como percebemos uma cor é sempre resultado da percepção que temos dela na sua relação com todo o arranjo (a gestalt), Sued, inversamente, trabalha com composições voltadas a anular a interação entre os diferentes campos de cor a partir de mediações estabelecidas por faixas.
"Sem título" (1990) faz parte de um conjunto de trabalhos que Sued produz entre a primeira metade dos anos 1980 e o começo dos anos 1990 – intervalo de algumas das suas soluções mais bem-sucedidas. Nesse momento, o que interessa ao artista é um tipo coexistência das cores no plano sem que isso implique hierarquia ou dependência mútua. O que garante à tela que vire um espaço em que as cores simplesmente persistem como fatos irredutíveis.
Primeiro porque, através de...