
A SP-Arte encerrou sua edição de 2026 com um saldo que, lido nos números, parece animador — e, lido nas entrelinhas, revela um mercado em recomposição cautelosa. Ao longo de quatro dias no Pavilhão da Bienal, as galerias fecharam negociações que somaram dezenas de milhões de reais, com destaque para obras de artistas históricos do modernismo e da arte contemporânea brasileira. O cenário, porém, foi menos uniforme do que os balanços individuais sugerem: enquanto algumas galerias registraram recordes internos, outras operaram com a tensão de quem sabe que bons resultados pontuais não garantem estabilidade estrutural.
Com vendas de praticamente todos os artistas que representa, a Fortes D’Aloia & Gabriel negociou trabalhos de artistas como Valeska Soares, Iran do Espírito Santo, Lucia Laguna, Tadáskia, Janaina Tschäpe, Rivane Neuenschwander, além de artistas internacionais como Robert Mapplethorpe, Hiroshi Sugito, Sarah Morris e Pélagie Gbaguidi. Os valores das vendas flutuaram entre R$ 15 mil e R$ 1.5 milhão.

A Galatea fechou a feira com 59 obras vendidas no total – recorde da galeria que tem sede em São Paulo e em Salvador –, entre trabalhos de Allan Weber, Guilherme Gallé, Gabriel Branco, Arthur Palhano, dentre outros no mercado primário, bem como de mais de 5 pinturas de Rubem Valentim, além de um trabalho de Antonio Dias e 2 Volpis no mercado secundário. Os valores, no mercado primário, flutuaram de R$ 30 a 250 mil e, no secundário, ficaram entre R$ 220 mil e R$ 1.5 milhão.
No caso da Flexa, do Rio de Janeiro, as vendas incluíram artistas como Adriana Varejão, Jesus Soto, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Hélio Oiticica, Alfredo Volpi, Tunga e Rubem Valentim. Isso garantiu uma receita total de cerca de R$ 15 milhões para a galeria.
Direto de Recife, a Galeria Marco Zero vendeu diversos trabalhos de seus artistas representados. Mas os destaques, ainda assim, ficaram no secundário – com a negociação de uma pintura de Antonio Dias e outra de Roberto Burle-Marx. A faixa de valores seguiu de obras abaixo de R$ 50 mil até outras acima de R$ 800 mil.

A Galeria Pró-Arte, junto à sua filha Contempo, fecharam mais de 20 vendas no mercado primário de artistas como Aldir Mendes de Souza, Bruno Neves, Laura Teixeira, Lilian Camelli, Sandra Lapage e Uéslei Fagundes, com valores que vão de R$ 6 mil a R$ 240 mil. O ponto alto esteve nos trabalhos de Aldir mendes de Souza, de quem a galeria vendeu cerca de 10 pinturas.
Trabalhos de artistas de peso – como Ana Maria Tavares, Osvaldo González e Carlos Garaicoa – foram negociados na Galeria Continua, tendo sido quase o estande inteiro vendido entre o primeiro e o segundo dia de feira. Os valores dos trabalhos flutuaram entre R$ 150 e 400 mil, sendo a maior parte deles na faixa de R$ 300 mil.
Negociações em valores altos também foram reportadas pela Gomide&Co, incluindo um Amadeo Lorenzato por R$ 800 mil, bem como um Hélio Oiticica e um León Ferrari na faixa, ambos, de R$ 1 milhão. A galeria, além disso, vendeu mais de 30 jóias, com valores de R$ 5 a 60 mil euros.
O que a SP-Arte 2026 deixa como saldo vai além das cifras declaradas pelas galerias. Permanece, na verdade, o desafio que os números não resolvem perfeitamente de como sustentar um ecossistema que funcione também para quem opera fora da faixa dos grandes tickets — as galerias menores, os artistas emergentes, os colecionadores em formação que, sem espaço no centro, acabam definindo se há, de fato, um mercado ou apenas um topo sem base.