
Um dos objetos mais impactantes de uma exposição sobre escravidão no National Museum of African American History and Culture, em Washington, deixará o museu ainda este mês. Trata-se de um fragmento de madeira de 15 quilos do navio negreiro São José-Paquete de Africa, que será devolvido à África do Sul após o término do acordo de empréstimo com os Iziko Museums of South Africa.
O artefato faz parte da exposição “Slavery and Freedom”, dedicada à história da escravidão atlântica e à experiência da chamada Middle Passage, a travessia marítima que levou milhões de africanos escravizados para as Américas. Desde a inauguração do museu em 2016, o fragmento foi exibido suspenso sobre um espaço escuro, ao lado de pedras de lastro usadas para estabilizar o navio e o peso do “carga humana”.
O São José era um navio português que, em 1794, transportava mais de 400 africanos escravizados de Moçambique para o Brasil quando naufragou perto da costa da Cidade do Cabo. Cerca de metade das pessoas a bordo morreu no acidente; os sobreviventes foram posteriormente vendidos como escravos na África do Sul.
Os restos do navio foram identificados em 2015, durante pesquisas do Slave Wrecks Project, um programa internacional dedicado a localizar e estudar embarcações associadas ao tráfico transatlântico de escravizados. O achado é considerado um dos primeiros naufrágios documentados de um navio negreiro que transportava pessoas escravizadas.
Segundo o Smithsonian, a retirada do objeto não está ligada a debates políticos recentes sobre a narrativa histórica em museus federais dos Estados Unidos. A instituição afirma que a decisão se deve exclusivamente ao fim do empréstimo e às necessidades de conservação do artefato, extremamente sensível.
Mesmo após a devolução do fragmento, outros objetos ligados ao navio, como pedras de lastro usadas para equilibrar a embarcação, permanecerão temporariamente em exibição.