
O “coração” da Bienal de Veneza foi reconfigurado. O Pavilhão Central, nos Giardini, reabre em 2026 após uma reforma que propõe uma nova leitura arquitetônica de um edifício acumulado ao longo de mais de um século.
Conduzido pelo escritório Labics em parceria com Fabio Fumagalli, o projeto parte da ideia de “organismo estratificado”, reorganizando as diferentes camadas históricas do edifício para torná-las legíveis e funcionais.
No centro dessa reorganização está a Sala Chini, agora assumida como núcleo de circulação, a partir do qual se distribuem galerias expositivas mais abertas, contínuas e flexíveis, um modelo alinhado às demandas curatoriais contemporâneas.

A intervenção também elimina elementos considerados dissonantes acumulados ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que restaura componentes históricos, como as janelas projetadas por Carlo Scarpa, criando um equilíbrio entre preservação e atualização.
Além disso, o projeto amplia a relação com o exterior: novas estruturas em madeira, inspiradas nas altane venezianas, conectam o edifício aos jardins, enquanto aberturas e terraços restabelecem a conexão visual com o entorno.
Do ponto de vista técnico, a reforma incorpora sistemas contemporâneos de climatização, iluminação e eficiência energética, com a meta de certificação sustentável, ao mesmo tempo em que esconde essas infraestruturas para manter a clareza espacial das salas.

Perpassando uma restauração, o projeto redefine o papel do Pavilhão Central: não como um espaço fixo, mas como uma plataforma adaptável, capaz de absorver as transformações curatoriais e institucionais da Bienal ao longo do tempo.