
A possibilidade de cobrar entrada de turistas estrangeiros em museus nacionais da Inglaterra voltou ao centro do debate cultural britânico depois que o governo sinalizou que está “explorando opções” sobre o tema. A maioria das instituições se posicionou contra a medida, e o setor segue dividido.
A proposta ganhou força a partir de recomendações da parlamentar trabalhista Margaret Hodge numa revisão do Arts Council England publicada em dezembro. Hodge sugere que, se o governo implementar um sistema universal de identidade digital, seria possível cobrar entrada apenas de visitantes internacionais. Ela mesma, porém, reconhece as limitações da ideia: “traria menos de dez milhões de libras. Não vale a pena, e a injustiça, se não há uma forma clara de identificar quem é quem.”
Os críticos da proposta são numerosos e vão além das fronteiras dos museus. A Tate, o V&A e a Royal Armouries se manifestaram contra. Karin Hindsbo, diretora interina da Tate, argumentou que “a perda de receita em bilheteria de exposições, lojas e cafeterias superaria qualquer ganho com a cobrança de entrada”. A diretora sainte da Tate, Maria Balshaw, foi direta: “Não gosto dessa ideia.” O V&A defende em vez disso uma taxa de 3% a 5% sobre estadias em hotéis, destinada ao financiamento da infraestrutura cultural.
O argumento do outro lado vem principalmente de Mark Jones, ex-diretor do V&A: “Os museus nacionais são parte essencial de nossa infraestrutura turística. Cobrar visitantes estrangeiros simplesmente reconhece que eles, como beneficiários relativamente abastados, deveriam contribuir.” Jones lembra que a França cobra entrada em todos os seus museus nacionais, incluindo o Louvre, e ainda assim é o destino turístico mais visitado do mundo.
O debate tem pano de fundo financeiro. O subsídio público aos museus nacionais britânicos caiu 18% em termos reais entre 2010 e 2023. A política de entrada gratuita para todos foi reintroduzida pelo Partido Trabalhista há 25 anos e é creditada com um aumento de 151% nas visitas às instituições que antes cobravam ingresso. Uma decisão do governo não é esperada antes do fim do ano.