O que as galerias brasileiras levam para Basel?

Na feira mais poderosa do mercado, o Brasil chega com 6 galerias e propostas que vão do imaginário afro-diaspórico ao concretismo.

Fundada em 1970, a Art Basel é a feira mais antiga e a mais prestigiada do circuito. Ao longo dos anos, o evento se tornou o lugar onde o mercado de arte se encontra, debate e define tendências. De 18 a 21 de junho, 232 galerias de todo o mundo ocupam o Messe Basel, em Basiléia, na Suíça.

Entre os participantes da edição deste ano, há seis galerias brasileiras: A Gentil Carioca, Almeida & Dale, Fortes D’Aloia & Gabriel, Gomide&Co, Luisa Strina e Mendes Wood DM. Juntas, elas ocupam estandes no setor principal, no Unlimited e no Parcours, com apoio do Projeto Latitude, parceria entre a ABACT e a ApexBrasil. Confira o que cada uma leva para a feira em Basileia.

Foto: Cortesia de A Gentil Carioca
  1. A Gentil Carioca | Estande R17

A seleção é concebida em torno do eixo Natureza e Liberdade, reunindo obras que atravessam território, ancestralidade, ecologia e memória. O estande reúne 23 artistas, entre eles Denilson Baniwa, Maria Nepomuceno, Vivian Caccuri, Rose Afefé e Sallisa Rosa, articulando perspectivas ecológicas, afro-diaspóricas e indígenas. No setor Unlimited, a galeria apresenta Safira (2025), de Agrade Camíz, pintura de grande escala em camadas de azul profundo que convoca a pedra preciosa como presença e entidade, não como ornamento.

Foto: Cortesia da Alemida & Dale
  1. Almeida & Dale | Estande G15

Estreia no setor Galleries com uma apresentação imersiva concebida pelo curador Cristiano Raimondi em torno do imaginário brasileiro: espiritualidade, subconsciente, memória e erotismo atravessando cinco artistas de gerações distintas. Chen-Kong Fang, com sua síntese entre a pintura clássica chinesa e a tradição pictórica brasileira; José Leonilson, representado por obras dos anos finais de sua vida, marcadas pela fragilidade e pela iminência da morte; Rayana Rayo, com paisagens oníricas que dialogam com a tradição artística pernambucana; Tunga, com seu universo alquímico e mitopoético; e Vivian Caccuri, com investigações sensoriais sobre som, política e os insetos como metáfora.

Foto: Cortesia da Fortes D’Aloia & Gabriel
  1. Fortes D’Aloia & Gabriel | Estande K17

A galeria celebra 25 anos com um estande de 25 artistas — gesto comemorativo sem nostalgia. A seleção inclui novos trabalhos de Ernesto Neto, Rivane Neuenschwander, Márcia Falcão, Lucia Laguna e Antonio Társis, além de Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Tadáskía. No Parcours, a galeria apresenta Pélagie Gbaguidi em colaboração com uma galeria internacional.

Foto: Cortesia Gomide&Co
  1. Gomide&Co | Estande U51

Uma das seleções mais densas conceitualmente, reunindo artistas em torno das relações entre linguagem, espaço e circulação de sentidos. O percurso passa por Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Mira Schendel, Cildo Meireles, Judith Lauand e Geraldo de Barros, em diálogo com León Ferrari, Marcel Broodthaers e Rirkrit Tiravanija. No setor Unlimited, a galeria apresenta uma obra de Antonio Dias em parceria com Nara Roesler, Sprovieri e Gió Marconi.

  1. Luisa Strina | Estande K25

A primeira galeria latino-americana a participar da Art Basel, em 1992, retorna com um estande que coloca práticas contemporâneas em diálogo com legados históricos. A seleção reúne Hélio Oiticica, Mira Schendel, Lygia Pape, Cildo Meireles e José Leonilson ao lado de Cinthia Marcelle, Renata Lucas e Leonor Antunes. Marcelle também está no Parcours, em colaboração com a galeria londrina Sprovieri.

Foto: Cortesia da Mendes Wood DM
  1. Mendes Wood DM | Estande S4

A galeria chega com uma das seleções mais geograficamente diversas entre as brasileiras presentes, reunindo artistas do Brasil, Europa, América Central e Ásia. Entre os brasileiros, Sonia Gomes, Rosana Paulino, Paulo Nazareth, Adriano Costa, Solange Pessoa e Lygia Pape. Ao lado deles, nomes como Edgar Calel, da Guatemala, Julien Creuzet, da Martinica, e Nina Canell, da Suécia. A seleção atravessa pintura, escultura, bordado, fotografia e instalação, num percurso que conecta memória, corpo, natureza e política.

Você também pode gostar