O presidente-diretor do Louvre, Christophe Leribault, declarou nesta quarta-feira (17) ao Senado da França que o museu mais visitado do mundo está “à bout de souffle” — esgotado, no limite de suas forças. Leribault falou perante a Comissão de Cultura, Educação, Comunicação e Esporte do Senado, caracterizando a situação como um “momento de encruzilhada” em que “problemas urgentes de infraestrutura se acumulam” diante de um desafio de investimento de grande escala.
“Apesar de sua majestade imponente e da dedicação diária de seus funcionários, o Louvre está funcionando no limite. Suas instalações e infraestrutura estão chegando ao fim de sua vida útil”, afirmou o dirigente.
O alerta chega num momento de turbulência institucional para o museu parisiense. Desde outubro de 2025, quando um grupo de ladrões invadiu o museu por meio de uma plataforma elevatória e arrombou uma janela no andar superior para levar joias da coroa avaliadas em US$ 102 milhões da Galerie d’Apollon em apenas oito minutos, a infraestrutura envelhecida e a segurança defasada do Louvre viraram manchete internacional. As joias ainda não foram recuperadas.
O roubo provocou múltiplos fechamentos parciais, atrasos na abertura e greves de funcionários em dezembro e janeiro, com o pessoal denunciando sobrecarga de trabalho, quadro insuficiente e a necessidade de maiores investimentos na infraestrutura. O escândalo, somado a uma fraude no sistema de venda de ingressos, levou à renúncia de Laurence des Car, a primeira mulher a presidir o Louvre, em fevereiro. Leribault, então presidente do Palácio de Versalhes, foi nomeado em seu lugar no dia seguinte.
Diante do Senado, Leribault afirmou que está enfrentando “as emergências necessárias de frente” e anunciou que um novo sistema de videovigilância no perímetro do museu começará a ser instalado em janeiro de 2027, com câmeras adicionais em pontos críticos já em funcionamento.
O centro do debate é o projeto Nouvelle Renaissance, reforma que deve custar mais de € 1 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões). Anunciado no início de 2025, o plano prevê uma nova entrada e uma ala dedicada de mais de 3 mil metros quadrados exclusivamente para a Mona Lisa, além de modernizar os sistemas de segurança. Em maio, o Louvre anunciou que os escritórios Selldorf Architects, de Nova York, e Studios Architecture Paris serão responsáveis pela reforma.
Para viabilizar o projeto, Leribault afirmou ao Senado que o museu precisa levantar € 360 milhões nos próximos meses, segundo o Le Monde. Desse total, € 300 milhões devem vir do licenciamento da marca Louvre ao Louvre Abu Dhabi, aberto em 2017, e o dirigente disse sentir “pressão intensa para garantir esses fundos”.
O presidente-diretor também defendeu a urgência da reforma estrutural ao apontar que a entrada atual, projetada por I. M. Pei com a icônica pirâmide de vidro, foi concebida para receber 4 milhões de visitantes por ano, mas o museu hoje recebe mais de 9 milhões anualmente, criando filas, problemas de acústica e condições que, segundo ele, prejudicam a reputação do maior museu do mundo.
