Existem pinturas que parecem nascer da tensão paciente entre a luz e a matéria, como se cada cor tivesse atravessado muitos dias até encontrar o tom exato em que pode, enfim, sossegar. Isso é, já há um bom tempo, a ordem que paira sobre a pintura de Paulo Pasta, que inaugura a individual “Precisão e Espírito” neste sábado (28) no Museu Lasar Segall, em São Paulo.
Por meio de superfícies construídas sob camadas de tempo, em que fachadas, planos e cruzes condensam uma experiência do olhar, o pintor paulista reúne um conjunto de 35 pinturas que colocam em diálogo a sua obra dos anos 1980 com trabalhos recentes. Mas, diferente de uma retrospectiva ou coisa dessa natureza, a mostra reúne poucos trabalhos em uma sala razoavelmente pequena e, ainda assim, consegue esclarecer a fidelidade do artista quanto aos problemas que atravessam, há mais de 40 anos, toda a sua produção.
“Eu tive o convite do Bagolin para expor no [Museu Lasar] Segall e fui, então, lá ver o lugar. Aceitei e, desde então, venho produzindo, do ano passado para cá, algumas pinturas pensando já naquele espaço. Isso porque o museu é pequeno e, principalmente, discreto – no melhor dos sentidos. Eu acho que o Museu Segall tem essa característica de, apesar da discrição, ser da maior importância. E me refiro aqui a um sentido de civilização. Quem dera no Brasil...