
Às quatro da tarde de quinta-feira, os corredores da TEFAF Nova York ainda estavam cheios. Dealers presos em conversas, colecionadores debruçados sobre vitrines, o burburinho que tomara o espaço desde a abertura para convidados às 11h mal havia diminuído. Para muitos dos presentes, era a melhor edição da feira em anos.
“As pessoas estão realmente curtindo isso”, disse o dealer Sean Kelly. “É como se, depois de anos com a cabeça baixa tentando atravessar a depressão que o governo Trump impôs ao país, todo mundo tivesse decidido começar a se divertir de novo.”
O humor otimista ecoou pela feira inteira. Para o consultor de arte Ralph DeLuca, os colecionadores estão mais confiantes em ativos concretos como arte, antiguidades e objetos colecionáveis do que em ações e aplicações financeiras. “O sentimento é o que move tudo”, resumiu Emmanuel Di Donna, cofundador da recém-lançada Pace Di Donna Schrader Galleries, que fez sua estreia na TEFAF com um estudo de leão de Delacroix de 1841, um De Kooning pintado em East Hampton em 1976 e um móbile de Calder que havia permanecido na mesma coleção familiar desde que o artista o presenteou, em 1946.
A feira, que vai até 19 de maio na Park Avenue Armory, mantém sua identidade própria num calendário nova-iorquino cada vez mais saturado: iluminação mais quente, ritmo mais lento, e um mix incomum que coloca antiguidades, design, arte moderna e contemporânea sob o mesmo teto. Nesta edição, um estele egípcio de calcário com 3.300 anos, que pertenceu a um empresário do fisiculturismo e foi presenteado pelo governo egípcio em 1964, dividiu espaço com mosaicos de Shahzia Sikander, pinturas de Eva Helene Pade e fotografias de Gordon Parks e Robert Mapplethorpe.
Um dos estandes mais comentados foi o da Salon 94, montado como o apartamento de um colecionador meticuloso: uma grande pintura de John Kacere sobre uma lareira com paredes de madeira escura, móveis e luminárias de Tom Sachs e cerâmicas de Shoko Suzuki criavam um ambiente simultaneamente elegante e excêntrico. Já a Thaddaeus Ropac dedicou seu espaço a grandes telas da dinamarquesa Eva Helene Pade, com cenas de multidões que se dissolvem em fumaça e sombra, como pinturas históricas vistas através de vidro embaçado.