O bom momento do mercado de arte brasileiro tem sido descrito, com frequência, como uma exceção positiva no panorama global. As galerias do país cresceram em média 21% em 2025 — o melhor desempenho entre todos os mercados analisados pelo Art Basel and UBS Global Art Market Report 2026 — e 83% delas projetam novo aumento de vendas em 2026, também o maior índice de confiança global.
O curioso, no entanto, é que nossos números macroeconômicos são ainda modestos e estáveis. O FMI registrou alta acumulada de 5,9% entre 2022 e 2023, com convergência para algo em torno de 2% ao ano no médio prazo. A expansão projetada é de 3,4% em 2025 e 2,3% em 2026, puxada sobretudo pelo consumo das famílias e pelo investimento privado – projeções que, se forem confirmadas, implicam no crescimento acumulado de 14% em termos reais. Não dá pra dizer que é um boom, mas obviamente é um piso relativamente firme para um país historicamente sujeito a choques tão abruptos.
Mas, sobre esse piso macroeconômico, ergue-se ainda uma caminhada muito mais dinâmica. O mercado de luxo brasileiro cresceu em média 12% ao ano desde 2022, segundo estudos da Bain & Company, e movimentou...