Espanha ameaça demitir diretor do Reina Sofía por obras desaparecidas e problemas de gestão

Comissão parlamentar exige inventário completo do acervo até dezembro de 2026 e adverte que o não cumprimento pode custar o cargo ao diretor Manuel Segade

Foto: Matias Chiofalo/Europa Press via Getty Images.

O governo espanhol aumentou a pressão sobre o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, diante de problemas persistentes no inventário da coleção e na gestão financeira da instituição. Uma comissão parlamentar de fiscalização aprovou recentemente uma resolução exigindo que o museu conclua um inventário completo e atualizado de seu acervo até 31 de dezembro de 2026. Se o prazo não for cumprido, o Ministério da Cultura deverá destituir o diretor Manuel Segade.

A medida foi aprovada por 20 votos a 13, com apoio do conservador Partido Popular e da extrema-direita, enquanto o Partido Socialista, que governa o país, se absteve. O texto exige ainda uma auditoria “total e absoluta” das obras do museu, incluindo empréstimos, depósitos e peças cujo paradeiro não está claro.

Com acervo de mais de 25 mil obras, entre elas peças de Picasso, Dalí e Miró, o Reina Sofía acumula críticas do Tribunal de Contas espanhol por falhas nos controles internos e dificuldades no rastreamento de parte da coleção. Parlamentares também mencionaram uma doação de 2021 cujas obras não foram totalmente contabilizadas.

Em nota, o museu reconheceu os problemas e afirmou estar conduzindo um “processo de regularização interna” nas áreas de gestão de inventário, avaliação de obras e segurança da coleção. A instituição também implementou recentemente uma plataforma digital chamada Artis para centralizar registros de empréstimos e do acervo permanente. A direção argumenta que muitas das inconsistências são anteriores à gestão atual e remontam à fusão com o antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea, em 1988.

A crise chega semanas depois de outra polêmica envolvendo o museu: o ministro da cultura rejeitou um pedido do governo basco para transferir temporariamente o Guernica, de Picasso, a Bilbao por ocasião do 90º aniversário do bombardeio da cidade.

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