Ai Weiwei recriará sua detenção de 81 dias em performance de 24 horas em Manchester

Em "Sewing a Button", o artista chinês habitará uma réplica de sua cela e será interrogado por jornalistas em sua primeira performance duracional, no dia 3 de julho na Aviva Studios

Foto: Cortesia do artista

Quinze anos depois de ser detido pelas autoridades chinesas, Ai Weiwei revive aquele período de forma literal. Em 3 de julho, o artista habita por 24 horas uma réplica exata de sua cela de 25,92 metros quadrados numa performance inédita chamada “Sewing a Button”, parte de sua exposição na Aviva Studios, em Manchester.

Dentro do espaço recriado pelo escritório de arquitetura Hawkins\Brown, Ai dormirá, comerá, se exercitará, lavará e escreveu, enquanto é interrogado em turnos por quatro jornalistas e escritores de diferentes países: o britânico Nihal Arthanayake, a irlandesa Emma Dabiri, o britânico Lemn Sissay e a jornalista singaporiana Zing Tsjeng. Nove atores interpretarão guardas militares e médicos. A dupla eletrônica Space Afrika, de Manchester e Berlim, criará a paisagem sonora e realizará uma sessão ao vivo durante o evento, que marcará a primeira vez que a Aviva Studios permanece aberta a noite toda.

Ai foi detido em 2011 por 81 dias, oficialmente por evasão fiscal, mas amplamente visto como consequência de suas críticas ao governo chinês. Embora já tenha abordado o período em obras anteriores, como a instalação em seis partes S.A.C.R.E.D. (2011–13), esta é a primeira vez que o artista enfrenta o material em tempo real, em seu próprio corpo.

“O que experienciei não é mais apenas minha história pessoal: é a realidade do mundo em que todos vivemos hoje”, disse o artista por email. A performance será transmitida ao vivo pelo site da Factory International e em espaços como a Piccadilly Circus, em Londres, o Australian Center for the Moving Image, em Melbourne, e o ARTHAUS, em Buenos Aires.

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Artista aposta: Joji Ikeda