Picasso de US$ 35 milhões e outros destaques de venda da Art Basel

Maior feira de arte do mundo registra vendas sólidas no primeiro dia, mas galeristas admitem que precisam "trabalhar duro nos estandes" para fechar negócios

 

A 56ª edição da Art Basel teve abertura cautelosa nesta terça-feira (16) em Basileia, na Suíça, com vendas expressivas mas sem a euforia das edições pré-pandemia. O destaque foi o óleo sobre tela Le peintre et son modèle dans un paysage (1963), de Pablo Picasso, vendido pela Hauser & Wirth por US$ 35 milhões nas primeiras horas da feira.

A galeria reportou 35 obras vendidas até as 16h, com volume total superior a US$ 65 milhões no primeiro dia. “Foi o primeiro dia mais forte que já tivemos na Art Basel”, afirmou Iwan Wirth, presidente da galeria.

O clima geral, no entanto, foi de contenção. As vendas na abertura reservada a convidados se mostraram medidas e estáveis, mas a euforia permaneceu ausente, com 290 galerias participantes demonstrando cautela generalizada. Um assessor de imprensa descreveu que os dealers estavam “realmente tendo que trabalhar nos estandes.”

A Thaddaeus Ropac movimentou quase US$ 9 milhões na primeira hora, com um Pierre Soulages de 1952 e a Sudden Wave (1982) de Helen Frankenthaler, cada obra negociada por cerca de US$ 3 milhões. A venda de Frankenthaler coincide com uma grande retrospectiva da artista em cartaz no Kunstmuseum Basel.

Obras de David Hockney também figuraram entre os destaques. A galeria Gray vendeu Studio Interior #2 (2014) por US$ 8,5 milhões e um desenho em iPad da série The Arrival of Spring in Woldgate por US$ 650 mil. Hockney morreu em 12 de junho, aos 88 anos, cinco dias antes da abertura da feira.

No setor Unlimited, dedicado a obras de grande escala, uma instalação de Isa Genzken foi adquirida por um museu europeu por € 1,2 milhão. A David Zwirner reportou mais de US$ 10 milhões em vendas no mercado primário.

O consultor Benjamin Godsill avaliou que os compradores estão “se sentindo seguros para dizer sim às coisas novamente”, mas ponderou que a feira está longe de ser uma “corrida frenética” como já foi. Obras na faixa entre US$ 200 mil e US$ 2 milhões são as que apresentam maior liquidez.

A presença de americanos e asiáticos foi menor do que em edições anteriores, tendência que persiste desde a criação da Art Basel Paris em 2022. Em contrapartida, diretores e curadores de museus norte-americanos compareceram em número expressivo, entre eles representantes do MoMA, do Whitney Museum e da Dia Art Foundation.

A Art Basel 2026 segue aberta ao público até 21 de junho.

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