Depois de 2 anos fora, MAM volta ao Ibirapuera

A reabertura será marcada por uma gala beneficente, cuja renda será revertida à manutenção do museu, com apresentação da cantora Marina Lima

O Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, reabrirá sua sede no Parque Ibirapuera no próximo mês, encerrando um período de quase dois anos em que funcionou sem espaço fixo, com exposições realizadas fora de seu endereço durante as obras de restauro da marquise projetada por Oscar Niemeyer.

A retomada será marcada por uma festa beneficente. Segundo o museu, a renda arrecadada com a venda dos convites será revertida para a manutenção da instituição — um modelo de financiamento cada vez mais comum entre museus brasileiros, que dependem de doações e de programas de sócios para complementar recursos públicos e patrocínios. A noite terá um show da cantora Marina Lima e o lançamento de uma obra da artista Carmela Gross, que passa a integrar o Clube de Colecionadores do museu.

Criado nos anos 1990, o Clube de Colecionadores é uma das marcas registradas do MAM e uma de suas principais fontes de recursos. Mediante uma contribuição anual, os associados recebem uma obra em edição produzida especialmente por um artista convidado — iniciativa que, ao longo das décadas, ajudou a formar o acervo da instituição e a aproximar do colecionismo um público que, de outro modo, dificilmente teria acesso a trabalhos originais. A entrada de Carmela Gross no programa dá peso simbólico à reabertura: nascida em São Paulo em 1946, ela é uma das artistas mais respeitadas de sua geração, com uma trajetória que atravessa o desenho, a escultura, a instalação e as intervenções urbanas, muitas vezes com o uso de luz e neon.

O MAM ocupa desde os anos 1960 um espaço sob a marquise do Ibirapuera, o longo pórtico de concreto que costura os pavilhões do parque e figura entre os cartões-postais da arquitetura modernista brasileira. As obras de restauro da estrutura obrigaram o museu a suspender a programação em sua sede e a levar suas exposições para outros endereços da cidade ao longo dos últimos dois anos — um período em que a instituição manteve a atividade expositiva, mas perdeu a ancoragem física que a liga à sua história e ao seu público.

A reabertura devolve ao parque um de seus principais equipamentos culturais e recoloca o MAM no circuito expositivo da cidade, ao lado de vizinhos como a Fundação Bienal e o Museu Afro Brasil, também instalados no Ibirapuera. Mais do que uma comemoração, a festa beneficente sinaliza o desafio que se abre com o retorno: sustentar, em tempos de orçamentos apertados, um museu que volta para casa.