
“Ceci n’est pas un maillot.” A frase escondida na gola do novo uniforme da seleção belga parece uma pegadinha, mas é uma homenagem deliberada ao maior artista do país: René Magritte. Desenvolvida em parceria com a Adidas, a camisa é um mergulho no surrealismo belga do qual Magritte foi o maior expoente.
O azul-claro que domina a peça remete ao céu onipresente nas telas do pintor. As esferas rosas e azuis da estampa referenciam “A Voz do Espaço” (1931). E a inscrição na gola é uma releitura direta de “A Traição das Imagens” (1929), obra em que Magritte apresenta um cachimbo acompanhado da célebre frase “Isto não é um cachimbo”, questionando a relação entre representação e realidade. Na camisa, o cachimbo vira uma camisa de futebol.
Não é a primeira vez que a Bélgica usa seu segundo uniforme para celebrar a cultura nacional. Antes vieram homenagens ao ciclismo (2016), ao festival Tomorrowland (2022) e ao personagem Tintim (2024). A camisa de Magritte ganhou novo significado nesta semana quando os belgas a vestiram para virar uma partida épica contra o Senegal nas oitavas de final da Copa do Mundo, vencendo por 3 a 2 e garantindo a classificação.