Com curadoria de Diane Lima, 39º Panorama marca reabertura do MAM no Ibirapuera

“Depois que tudo foi dito” abre em 12 de setembro com uma seleção que recusa a nostalgia e aposta em nomes fora do radar do circuito tradicional

Foto: Divulgação

O MAM-SP revelou os 33 artistas da 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira. Sob curadoria de Diane Lima, a mostra “Depois que tudo foi dito” abre em 12 de setembro, marcando também a reabertura da sede do museu no Parque Ibirapuera após dois anos de reforma. Um título emprestado da filósofa Denise Ferreira da Silva e uma pergunta que organiza tudo: para onde vai a arte brasileira depois de uma década de virada epistêmica?

Nas últimas décadas, as demandas por reparação racial e as políticas afirmativas recodificaram a própria arte brasileira, e a arte, por sua vez, foi expandida e transformada por elas. Diane Lima propõe especular o que vem depois disso e, segundo ela, algo se deslocou desde 2010 — tendo o Panorama se tornado o lugar para entender para qual direção esse deslocamento aponta. “O que nos une nesse panorama nacional é uma tentativa constante de liberação”, disse a curadora.

A lista divulgada reflete essa disposição. Diane não cedeu à nostalgia nem aos nomes já consagrados, e também evitou o caminho mais óbvio de uma seleção que dominou boa parte da produção e do mercado na última década. A curadora entende que ampliar o debate passa por não cristalizar nenhuma linguagem como a resposta definitiva do momento, e o resultado disso é uma seleção que mistura nomes jovens em busca de consolidação, artistas em estágio intermediário de carreira e veteranos que nunca tiveram a visibilidade que merecem — como a fotógrafa soteropolitana Lita Cerqueira, o carioca Marcelo Conceição e o goiano Moacir Soares de Faria, que faleceu em 2025 e será homenageado na mostra.

A lista apresenta 33 artistas de 13 estados brasileiros, de todas as regiões do país:

Allan Weber, Amorí, Ana Claudia Almeida, André Felipe Cardoso, Anti Ribeiro, Arorá, Bárbara Banida, Biarittzzz, Carolina Cordeiro, Caroline Ricca Lee, Chacha Barja, Darks Miranda, Emer Freire, Fykyá Pankararu, Gilson Plano, Helô Sanvoy, Iagor Peres, Josi, Jota Mombaça, Kuenan Mayu, Lia D Castro, Lita Cerqueira, Marcelo Conceição, Moacir Soares de Faria (1954–2025), Nazas, Osvaldo Gaia, Oto Ferreira, Rafael Chavez, Rayana Rayo, Rodrigo Cass, Rose Afefé, Thaís Muniz e Ygor Landarin.

Há obras comissionadas de Anti Ribeiro, Rodrigo Cass, Caroline Ricca Lee e Jota Mombaça. Ribeiro apresenta esculturas sônicas feitas com objetos de ferro recolhidos em ferro-velhos. Mombaça ocupa a Sala de Vidro com uma instalação da série Ghosts, produzida desta vez no Rio Potengi, em Natal, cidade onde nasceu. Cass traz sete vídeos e pinturas que entrelaçam mística e formação católica. Lee aborda a religiosidade de forma explícita pela primeira vez, com um altar que no lugar de uma figura a se cultuar apresenta um corpo suspenso por correntes.

A expografia é assinada pelo estúdio Vão, que já trabalhou com Diane Lima na 35ª Bienal de São Paulo, e a identidade visual pelo estúdio Porto Rocha. A mostra abre em 12 de setembro e fica em cartaz até 24 de janeiro de 2027.

Serviço:
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Curadoria: Diane Lima
Gerente de projetos da curadoria: Giovanna Querido
Período expositivo: 12 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027

Museu de Arte Moderna de São Paulo
Endereço: Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – acesso pelos portões 1 e 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h30) 

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