Após pavilhão viral em Veneza, Florentina Holzinger leva espetáculo de 9 horas a castelo na Áustria

"Pfingstspiel" foi apresentado no castelo de Hermann Nitsch em Prinzendorf e aprofunda a linguagem radical da artista, que ocupa o pavilhão austríaco na Bienal com uma distopia ecológica aquática

Foto: Reprodução

Florentina Holzinger chegou à Bienal de Veneza de 2026 com uma performance que rapidamente se tornou uma das mais comentadas da edição. No pavilhão austríaco, “Seaworld Venice” construiu uma distopia subaquática com um parque de diversões inundado, um jet-ski em círculos e um tanque sustentado por fluidos corporais doados pelo público, tudo como alerta sobre os efeitos do turismo predatório e da crise climática.

Cinco dias após a abertura em Veneza, a artista já estava em Prinzendorf an der Zaya, próximo a Viena, para apresentar “Pfingstspiel” (Jogo de Pentecostes), uma performance de nove horas e apresentação única realizada no castelo de Hermann Nitsch, pai fundador do Acionismo Vienense dos anos 1960. O espetáculo foi criado em colaboração com o festival Wiener Festwochen e a Fundação Nitsch.

“Pfingstspiel” mantém a linguagem perturbadora que Holzinger vem construindo ao longo de uma década: um paraquedista com fantasia de pássaro, um monster truck destruindo carros menores, uma mulher presa a uma janela por um arnês jogando o corpo contra o metal, performers prendendo grampos metálicos uns nos outros. Como em Veneza, o choque é deliberado.

“Fazemos coisas que as pessoas percebem como cruéis com nossos corpos, mas no fundo somos nós que estamos no controle”, disse Holzinger ao New York Times. “As pessoas ficam chocadas ao ver mulheres no controle de si mesmas, mas não ficam chocadas ao ler sobre feminicídios ao redor do mundo. Essa violência é algo a que estamos acostumadas.”

Holzinger, que passou a ser representada pela Thaddaeus Ropac no início deste ano, é hoje uma das artistas de performance mais radicais da Europa, conhecida por encher teatros e óperas com motocicletas, helicópteros e máquinas pesadas.

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