Pintura inédita de Leonora Carrington feita num sanatório espanhol será exibida pela primeira vez em Londres

"Villa Pilar" (1940), criada durante internação da artista surrealista na Espanha, será apresentada no Freud Museum em julho ao lado de outra obra do mesmo período

Foto: Cortesia Joanna Moorhead

Uma pintura de Leonora Carrington criada em 1940 durante sua internação num sanatório em Santander, no norte da Espanha, será exibida publicamente pela primeira vez. “Villa Pilar” chega ao Freud Museum, em Londres, em julho, integrando a exposição “Leonora Carrington: The Symptomatic Surreal”, que passa a ter nova data de encerramento: 10 de agosto.

A obra permaneceu por décadas com a família do psiquiatra Luis Morales, que tratou Carrington durante seus seis meses de internação e recebeu o quadro da artista ao ser ela liberada. Foi a equipe curatorial do Faro Santander, espaço cultural onde a exposição viajará em setembro, que localizou e identificou a pintura.

O contexto de criação da obra é um dos períodos mais dramáticos da vida de Carrington. Em 1939, seu companheiro, o artista Max Ernst, foi preso pelos nazistas na França por ser considerado “estrangeiro inimigo”. A artista sofreu um colapso psicológico em Madri e foi levada ao sanatório, onde, encorajada por Morales, passou a desenhar obsessivamente, retratando o hospital como um submundo habitado por criaturas híbridas de humano e animal. Nesse período criou duas pinturas: “Villa Pilar” e “Down Below”, título que também deu às suas memórias sobre a internação, publicadas em 1944.

“Villa Pilar” é visualmente próxima a “Down Below” e as duas obras serão reunidas pela primeira vez na etapa espanhola da exposição, em Santander. Na versão londrina, “Down Below” fica em exibição até 28 de junho e “Villa Pilar” entra em cartaz a partir de julho.

Segundo Joanna Moorhead, prima e biógrafa de Carrington, o título da obra se refere a uma das alas do sanatório. No fim da vida, Morales passou a acreditar que havia cometido erros no tratamento da artista, inclusive ao submetê-la a injeções de Cardiazol, substância que induz convulsões. “Ele disse: Leonora não era louca”, escreveu Moorhead. Carrington morreu em 2011, aos 94 anos.

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