Com abertura nesta quarta, ARCOlisboa marca dez anos e edição terá 86 galerias

De 28 a 31 de maio, feira portuguesa reúne galerias de 19 países

 

A ARCOlisboa 2026 volta a ocupar a Cordoaria Nacional, em Lisboa, entre 28 e 31 de maio. A nona edição da feira marca os dez anos do projeto ARCO na cidade — capítulo de uma estratégia mais ampla, conduzida pela IFEMA Madrid em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, que tem feito da capital portuguesa um ponto cada vez mais estratégico entre o circuito europeu, ibero-americano e africano. São 86 galerias de 19 países, com forte presença portuguesa: 30 galerias do país, cerca de 35% do total. As outras 56 vêm sobretudo de outros pontos da Europa, da América Latina e de contextos menos representados no eixo tradicional do mercado europeu.

A escolha de Lisboa como sede secundária do projeto ARCO — cuja matriz histórica é a ARCOmadrid — não é gesto puramente comercial. Há uma intenção articulada de transformar a cidade, durante alguns dias de maio, num polo de convergência entre cenas que normalmente operam em circuitos separados. A presença robusta de galerias portuguesas, muitas delas com atuação consistente no circuito internacional, funciona como ponto de ancoragem. E a feira, em paralelo, opera como porta de entrada para galerias estrangeiras interessadas em construir relações com colecionadores locais — um movimento que se intensificou nos últimos anos com a chegada à cidade de instituições, residências e novos espaços expositivos.

A estrutura curatorial da edição mantém quatro programas. O Programa Geral funciona como núcleo central e coração comercial da feira, com a maioria das galerias selecionadas pelo Comitê Organizador. Em paralelo, três seções comissariadas ampliam o foco e dão ao evento um caráter de laboratório curatorial mais marcado do que o de feiras comerciais convencionais.

O Opening Lisboa, comissariado por Sofia Lanusse e Diogo Pinto, reúne 17 galerias dedicadas a impulsionar novas linguagens e modelos de espaço independente. Funciona como termômetro das práticas emergentes e da cena mais jovem. Os Solo Projects, integrados ao Programa Geral, oferecem apresentações individuais que permitem leituras mais aprofundadas — uma aproximação quase museológica em meio à dinâmica comercial. E a novidade desta edição é uma seção dedicada a cruzamentos artísticos, com ênfase em cerâmica e têxteis, curada pelo romeno Cosmin Costinaș. A aposta dialoga com o crescente interesse internacional por práticas que atravessam artes visuais, artesanato, design e saberes tradicionais — eixo que tem ganhado espaço nas grandes bienais e nas curadorias de museus europeus nos últimos anos, com forte componente decolonial.

A presença forte da arte portuguesa não é mera escolha geográfica. É posicionamento estratégico. Desde sua criação, a ARCOlisboa se apresenta explicitamente como plataforma para a arte portuguesa em diálogo com as cenas espanhola, europeia e internacional — papel reafirmado nos materiais de 2026. Em paralelo, há uma articulação consistente com as instituições culturais lisboetas. A combinação entre a feira na Cordoaria Nacional e a programação de espaços como MAAT, Museu Calouste Gulbenkian, Museu Berardo e iniciativas independentes da cidade transforma Lisboa, durante os quatro dias do evento, num destino concentrado de alto interesse — algo que feiras maiores e mais industriais da Europa nem sempre conseguem articular com a mesma fluidez.

A edição anterior, em 2025, registrou números relevantes: 83 galerias de 17 países e mais de 14 mil visitantes. Uma iniciativa do Ministério da Cultura português garantiu entrada gratuita a menores de 25 anos em dias específicos da feira — medida que aproximou o evento de um público jovem e funcionou como estratégia de formação de novos colecionadores. Para 2026, os organizadores reforçam esse duplo eixo: fortalecer a visibilidade internacional de artistas portugueses e manter Lisboa no mapa de colecionadores e profissionais globais.

A feira articula ainda um conjunto de premiações que opera como camada de legitimação simbólica e mecanismo de circulação institucional. Há prêmios de aquisição voltados a coleções institucionais e corporativas, distinções para o melhor estande e, pelo sétimo ano consecutivo, o prêmio Opening Lisboa — voltado à melhor apresentação da seção dedicada a galerias emergentes. Em paralelo, um programa intenso de conferências e debates reúne curadores, críticos, artistas e colecionadores em torno de discussões sobre práticas contemporâneas, colecionismo, políticas culturais e os desafios do mercado em Portugal e além.

Há, no desenho da nona edição, uma autoconfirmação clara: a ARCOlisboa amadureceu como evento. Não é mais uma versão secundária da feira madrilenha. É um projeto com identidade curatorial própria, articulação institucional com a cidade e um lugar consolidado no calendário europeu da arte contemporânea. A ampliação do número de galerias em relação à edição anterior, a consolidação das seções comissariadas e a nova aposta em cerâmica e têxteis indicam que, dez anos depois de chegar à cidade, o projeto encontrou em Lisboa não apenas uma sede — mas um terreno particularmente fértil para crescer.

 

Serviço

ARCOlisboa 2026
Local: Cordoaria Nacional — Lisboa, Portugal
Período: 28 a 31 de maio de 2026

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