Retrato redescoberto de príncipe do século 17 dobra estimativa em leilão canadense

Obra atribuída por séculos a Van Dyck foi identificada como trabalho de Peter Lely e pertenceu à Hudson Bay Company desde sua fundação, em 1670

Foto: Cortesia Heffel Fine Art Auction House

Um retrato do Príncipe Rupert, figura central das Guerras Civis inglesas do século 17, foi vendido por CA$ 217.250 (cerca de 153 mil dólares) no leilão de primavera da Heffel Fine Art Auction House, em Toronto, mais que o dobro de sua estimativa mínima. A obra pertenceu à Hudson Bay Company por mais de 250 anos.

Por séculos, a pintura foi atribuída ao ateliê de Antony Van Dyck. Numa exposição em Londres em 1932, estudiosos a reatribuíram ao flamengo Jacob Huysmans. Pesquisas recentes, no entanto, apontam para um terceiro nome: Peter Lely, pintor da corte de Carlos II, com base numa versão da mesma composição conservada na Galleria Palatina, em Florença. Lely, de origem holandesa, ocupava para Carlos II o mesmo papel que Van Dyck havia ocupado para Carlos I.

A obra teria sido presenteada pelo próprio Príncipe Rupert por ocasião da fundação da Hudson Bay Company, em 1670, da qual foi o primeiro governador. A empresa de comércio de peles se transformou ao longo dos séculos numa grande rede varejista canadense e declarou falência em março do ano passado, deixando em suspenso um acervo de 1.700 obras de arte e 2.700 artefatos. A Heffel foi designada judicialmente para conduzir as vendas, que começaram no final de 2025.

O leilão de 80 lotes totalizou CA$ 22,4 milhões, com destaque para “Coastal Boats Near Sidney, BC” (1948), do pintor E.J. Hughes, arrematado por CA$ 5,7 milhões, novo recorde para o artista e mais de quatro vezes sua estimativa mínima.

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