
A União Europeia incluiu Mikhail Piotrovsky, diretor do Museu Hermitage, em São Petersburgo, em seu 20º pacote de sanções contra a Rússia. A medida marca um passo inédito ao atingir uma das figuras mais influentes do setor cultural russo, há décadas à frente de uma das instituições museológicas mais importantes do mundo.
Piotrovsky dirige o Hermitage desde 1992 e mantém uma relação próxima com Vladimir Putin desde os anos 1990. Nos últimos anos, tornou-se um dos mais visíveis defensores da política cultural do Kremlin, apoiando publicamente a invasão da Ucrânia e descrevendo a projeção internacional da cultura russa como uma forma de “ofensiva cultural”.
Segundo a União Europeia, as sanções decorrem não apenas de seu apoio político à guerra, mas também do envolvimento do Hermitage em atividades de apropriação cultural em territórios ucranianos ocupados. O bloco acusa Piotrovsky de respaldar a incorporação de bens de museus ucranianos ao acervo estatal russo e de autorizar escavações arqueológicas ilegais na Crimeia, incluindo intervenções em sítios protegidos.
As medidas incluem congelamento de ativos em território europeu e proibição de entrada nos países da União Europeia. Além de Piotrovsky, outros dirigentes culturais russos ligados à gestão de patrimônio em áreas ocupadas também foram incluídos na nova rodada de sanções.