Moffat Takadiwa é anunciado como vencedor da primeira edição de prêmio da Toyota

Após participar da última Bienal de SP e ser anunciado pela Almeida & Dale, o artista zimbabuense recebe o Grand Prize da Toyota Tsusho CFAO

Moffat Takadiwa ganha prêmio Toyota. Imagem de sua obra na 36a Bienal de SP.
Obra de Moffat Takadiwa na 36ª Bienal de São Paulo.

O artista zimbabuense Moffat Takadiwa foi anunciado como vencedor do Grand Prize da primeira edição do Toyota Tsusho CFAO African Art Award, iniciativa criada pela corporação japonesa para apoiar a nova geração de artistas africanos. O resultado, divulgado em 9 de março de 2026, reconhece a força de uma obra que articula crítica ao consumismo, desigualdade e legado colonial por meio de tapeçarias e instalações monumentais feitas com resíduos do circuito global de mercadorias.

Lançado em agosto de 2025, o prêmio recebeu indicações de cerca de 100 artistas de todos os 54 países africanos, selecionados por 35 curadores e críticos a partir das redes internacionais da Toyota Tsusho e da CFAO. Um júri de 10 nomes de peso no circuito institucional — entre eles Chris Dercon, N’Goné Fall e Yuko Hasegawa — reduziu a lista a 12 finalistas antes de apontar cinco premiados em categorias distintas, com Takadiwa ocupando o topo da hierarquia como Grand Prize. Além da premiação em dinheiro, o artista terá obras em exposições na África, no Japão e na França, começando por uma mostra no Palais de Lomé, no Togo, em junho de 2026.

Takadiwa, nascido em 1983 em Hurungwe e radicado em Harare, estudou Fine Art no Harare Polytechnic College e consolidou uma linguagem que utiliza de costuras de teclas de computador, tampas de garrafa, tubos de pasta de dente e outros plásticos descartados em superfícies densamente tecidas. Esses tecidos pós-industriais evocam tanto tapeçarias rituais quanto organismos microscópicos, operando como cartografias materiais das rotas do consumo e do lixo que atravessam o Sul Global.

 

Da Bienal de SP ao circuito global

A vitória no prêmio Toyota coroa um ciclo em que o artista já vinha ganhando grande visibilidade institucional, que inclui a participação na 36ª Bienal de São Paulo, com a instalação imersiva “Portals to Submerged Worlds”, e o anúncio da sua representação no Brasil, pela galeria Almeida & Dale. Concebida especialmente para a Bienal, a obra amplia a escala de sua pesquisa ao transformar o pavilhão em um grande portal têxtil feito de resíduos plásticos e metálicos, usando a metáfora da arca de Noé para falar de destruição, reconstrução e cura de uma “terra arrasada” pelo colonialismo e pelo extrativismo.

No comunicado do prêmio, a Toyota destaca que Takadiwa já havia exibido na 60ª Bienal de Veneza, em 2024, e em instituições como a National Gallery of Zimbabwe, o Centre d’art contemporain em Gennevilliers e o Craft Contemporary, em Los Angeles, destacando o seu lugar consolidado no circuito internacional. Ao projetar um artista que acabou de ocupar com destaque a Bienal de São Paulo, o prêmio reforça o eixo que conecta África, Brasil e Europa em torno de discussões sobre raça, capitalismo e meio ambiente, ao mesmo tempo em que sinaliza o interesse de grandes conglomerados em associar sua imagem à emergência de uma cena africana cada vez mais central no debate da arte contemporânea.