Pavilhão da Rússia pode ser fechado na Bienal de Veneza em caso de propaganda, diz prefeito

Prefeito de Veneza afirma que participação russa será monitorada em meio a tensões políticas no evento

Foto: Jean-Pierre Dalbéra

O controverso enredo sobre a presença da Rússia na Bienal de Veneza ganha mais um capítulo e um possível limite institucional. O prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, afirmou que o pavilhão russo poderá ser fechado imediatamente caso seja identificado conteúdo de propaganda estatal.

A declaração surge após o anúncio de que o país voltará a participar da edição de 2026, marcando sua primeira presença desde a invasão da Ucrânia em 2022. Segundo Brugnaro, a cidade está disposta a agir diretamente: “se houver propaganda, seremos os primeiros a fechar o pavilhão”.

Ao mesmo tempo, o prefeito defendeu que a Bienal deve continuar sendo um espaço de “diplomacia e abertura”, indicando a tentativa de equilibrar liberdade artística e pressão política em torno do evento.

A reentrada da Rússia já havia provocado reações internacionais, incluindo ameaças da União Europeia de retirar financiamento da Bienal e críticas de governos e profissionais do setor cultural, que apontam o risco de instrumentalização da arte como ferramenta de legitimação política.

No centro da disputa está uma questão recorrente, e cada vez mais urgente, para o circuito global: até que ponto eventos culturais podem sustentar uma posição de neutralidade diante de conflitos geopolíticos ativos.