Colunas “fantasma” redesenham entorno do Coliseu em intervenção de Stefano Boeri

Projeto em Roma reinscreve a escala original do monumento ao marcar, com mármore, a presença de estruturas desaparecidas ao longo dos séculos

Foto: Simona Murrone

Uma praça que já não existe volta a se insinuar no espaço, não como reconstrução literal, mas como vestígio. O novo projeto de Stefano Boeri para o entorno do Coliseu de Roma propõe justamente isso: devolver ao visitante a percepção da monumentalidade perdida por meio da ausência.

A intervenção redesenha a área semicircular diante do anfiteatro, onde multidões aguardavam antes de entrar. Ali, colunas que desapareceram com terremotos e instabilidades do solo são agora “reencenadas” por meio de grandes blocos de travertino posicionados exatamente onde seus pilares originais se erguiam.

Mais do que reconstruir, o gesto é quase arqueológico ao inverso: em vez de erguer novamente as estruturas, o projeto evidencia seus contornos. As lajes permitem sentar, percorrer e imaginar a escala das arcadas que chegavam a cerca de 50 metros de altura.

A escolha do material reforça essa operação de memória. O travertino utilizado vem das mesmas pedreiras exploradas na Roma antiga, estabelecendo uma continuidade tátil entre passado e presente.

Foto: Simona Murrone

Parte de um conjunto mais amplo de intervenções urbanas, que inclui novas estações de metrô sob o sítio arqueológico, o projeto também revela camadas ocultas: escavações recentes trouxeram à luz objetos, estruturas e até passagens subterrâneas ligadas ao uso original do Coliseu.

Ao evitar a reconstrução cenográfica, Boeri opta por uma estratégia mais sutil: transformar o vazio em instrumento de leitura histórica, e fazer da praça um dispositivo de imaginação.