Carta revela que Monet penhorou 35 obras para conseguir empréstimo no início da carreira

Documento inédito mostra o artista pedindo dinheiro à família Manet e será leiloado com estimativa de até €120 mil

Foto: Cortesia de International Autograph Auctions Europe S.L.

Antes de se tornar sinônimo de valor seguro no mercado, Claude Monet dependia de empréstimos para continuar pintando e chegou a oferecer dezenas de obras como garantia. Uma carta rara de 1875, agora redescoberta, registra o momento em que o artista recorre a Gustave Manet para obter 1.000 francos, comprometendo 35 pinturas como colateral.

O documento, que será leiloado ainda este mês pela International Autograph Auctions, traz o próprio Monet confirmando o recebimento do valor e detalhando que a dívida seria quitada com a venda das obras em um leilão futuro, algumas ainda em produção na época.

Entre elas, estava uma pintura de uma “mulher japonesa”, que se tornaria a célebre La Japonaise (1876), hoje uma das imagens mais conhecidas do artista.

Claude Monet, “La Japonaise” (Camille Monet em traje japonês) (1876). Foto: Coleção do Museum of Fine Arts, Boston.

A carta lança luz sobre um período de instabilidade financeira vivido pelos impressionistas, ainda rejeitados pelo público e afetados pela crise econômica que atravessava a França na década de 1870.

Com estimativa entre €80 mil e €120 mil, o documento nunca havia sido leiloado antes, e condensa, em poucas linhas, a distância entre o mito consolidado de Monet e a precariedade que marcou sua ascensão.