Mostra itinerante da 36ª Bienal de São Paulo abre no Museu de Arte do Rio

Em cartaz até 3 de maio, Rio de Janeiro recebe, junto a Goiânia, as primeiras itinerâncias da exposição

Foto: Divulgação Rio de Janeiro

 

Iniciadas as primeiras itinerâncias da 36ª Bienal de São Paulo, a circulação começou em Goiânia e no Rio de Janeiro, devendo seguir ao longo de 2026 para mais de dez cidades no Brasil e no exterior.

Intitulada Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, a presente edição propõe uma reflexão sobre deslocamentos que não se limitam ao campo geográfico, mas que envolvem também dimensões simbólicas, afetivas e epistemológicas da experiência humana. 

Partindo da ideia de que nem todo percurso se dá por caminhos visíveis ou previamente traçados, o projeto curatorial enfatiza formas de existência e circulação que escapam às lógicas normativas, valorizando saberes ancestrais, práticas coletivas e modos de vida que insistem em reinventar o comum. 

 

Foto: Divulgação Rio de Janeiro

 

Realizadas desde 2011, as itinerâncias funcionam como uma extensão da Bienal de São Paulo voltada a garantir que as obras sejam colocadas em diálogo com diferentes contextos locais e, com isso, ativar novas leituras e relações com públicos fora do eixo expositivo principal.

No Rio de Janeiro, com curadoria de Keyna Eleison, cocuradora at large da 36ª Bienal de São Paulo, a mostra ocupa o Museu de Arte do Rio (MAR) e apresenta trabalhos de 20 artistas com visitação até 3 de maio (sexta-feira). Para Eleison, “chegar ao Rio e dar início a mais uma etapa da itinerância é reconhecer a potência dos encontros que esta edição propôs”.

Entre os destaques está o artista interdisciplinar Olu Oguibe, cujo trabalho ocupa a fachada do museu desde o dia 6 de setembro de 2025, data de abertura da 36ª Bienal de São Paulo. Um painel de escala monumental apresenta a frase-título Você precisa levar tudo o que pertence aos povos indígenas? –  traduzida em nheengatu, português e inglês –, com o objetivo de reforçar a importância e a urgência da luta pelos direitos desses povos. A obra, que lida sobretudo com a invasão de terras indígenas por interesses agrícolas, madeireiros e minerários, confronta também a violenta repressão enfrentada por ativistas.

Nas salas internas, a atenção se volta para as obras de Suchitra Mattai e Nádia Taquary, que, no espaço expositivo do MAR, de menor escala, assumem uma imponência ainda maior.

Foto: Divulgação Rio de Janeiro
Foto: Divulgação Rio de Janeiro

Suchitra Mattai, artista e contadora de histórias indo-caribenha, navega de forma poética explorando temas como oralidade, migrações e ancestralidade. Em Siren Song (O Canto da Sereia), concebe uma instalação imersiva que reúne materiais como têxteis, bordados, adornos e objetos encontrados. No teto, em formato circular, é exibido um vídeo captado pela própria artista com uma câmera antiga durante uma travessia pelo oceano Atlântico.

Após realizar a exposição individual Ònà Irin: Caminho de Ferro (2024), a brasileira Nádia Taquary retorna ao MAR com a instalação Ìrókó: A árvore cósmica. Na obra, a artista evoca a divindade Ìrókó, orixá senhor do tempo e da ancestralidade, cultuado no Brasil por meio da gameleira — árvore presente nos terreiros de religiões de matriz africana e que, segundo a tradição, teria sido a primeira árvore plantada e a origem da vinda dos orixás à Terra.

A mostra, com expografia de Gisele de Paula, apresenta ainda trabalhos de Akinbode Akinbiyi, Berenice Olmedo, Christopher Cozier, Hamedine Kane, Leo Asemota, Malika Agueznay, Manauara Clandestina, Mansour Ciss Kanakassy, Mao Ishikawa, Maxwell Alexandre, Metta Pracrutti, Ming Smith, Moisés Patrício, Myrlande Constant, Tanka Fonta e Zózimo Bulbul

 

Cammila Ferreira é gestora de projetos e curadora independente, tendo já realizado exposições em diversas galerias e instituições.

 

 

 

Serviço

36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da

Humanidade como prática

Itinerância Rio de Janeiro – Museu de Arte do Rio – MAR

Curadoria: Keyna Eleison

Arquitetura: Gisele de Paula

Visitação, ter a dom, 11h – 18h (última entrada às 17h)

Fechado às quartas-feiras

Praça Mauá, Centro

Rio de Janeiro, RJ

 

Ingressos

Inteira: R$ 20,00

Meia-entrada: R$ 10,00

Terças-feiras: entrada gratuita

 

Entrada gratuita: alunos da rede pública de Ensino Fundamental e Médio /

Crianças de até 5 anos de idade / pessoas com idade a partir de 60 anos /

Professores da rede pública de ensino do município do Rio de Janeiro /

Funcionários de museus / vizinhos do MAR / guias de turismo

*em todos os casos, é necessário apresentar documentação comprobatória