
A poucos meses da abertura da 61ª Bienal de Veneza, o campo artístico volta a se tensionar — desta vez, a partir de dentro. Um grupo de 178 artistas, curadores e trabalhadores da arte que participam da própria mostra assinou uma carta aberta pedindo a exclusão de Israel do evento.
O documento foi publicado pela organização ativista Art Not Genocide Alliance e inclui nomes como Alfredo Jaar, Tai Shani, Yto Barrada e Sophia Al-Maria.
No texto, os signatários defendem que a Bienal não deveria oferecer espaço institucional a um Estado acusado de violência contra a população palestina, retomando argumentos que já haviam mobilizado milhares de profissionais do setor em edições anteriores.
A iniciativa intensifica um debate que já vinha se desenhando desde 2024, quando campanhas semelhantes pressionaram pela exclusão de Israel e resultaram, na prática, no fechamento do pavilhão israelense durante a mostra, decisão tomada pelos próprios representantes do país.
Até o momento, a organização da Bienal mantém sua posição: em comunicado recente, afirmou rejeitar “qualquer forma de exclusão ou censura” no campo cultural, defendendo o evento como um espaço de liberdade artística e diálogo internacional.
A nova carta surge em um contexto já marcado por outras disputas políticas em torno da edição de 2026, incluindo críticas ao retorno da Rússia e ameaças de corte de financiamento europeu, consolidando a próxima Bienal como uma das mais tensionadas dos últimos anos.