
Uma pesquisa de conservação realizada pela Tate Britain autenticou o retrato mais antigo conhecido de James McNeill Whistler. A obra, “Head of a Peasant Woman” (1855–58), de tamanho reduzido, foi pintada quando o artista americano vivia em Paris no início dos seus 20 anos e está em exibição na grande retrospectiva que a instituição londrina dedica a ele.
Na mostra, a obra é reunida com quatro outros retratos a óleo do mesmo período, exibidos juntos pela primeira vez em mais de 120 anos. Entre os destaques está um autorretrato inédito de Whistler fumando, proveniente de uma coleção privada. Cadernos de esboços da adolescência do artista também são tornados públicos pela primeira vez.
A autenticação foi resultado de um projeto chamado “Whistler’s Finish”, que submeteu a obra a análise científica comparativa com outras telas conhecidas do artista. A análise por infravermelho revelou que a aplicação de tinta segue de perto um desenho preparatório a grafite, enquanto algumas das sombras foram raspadas à maneira de uma gravura. “É quase como se ele estivesse colorindo um desenho”, disse a curadora Carol Jacobi. “Ele rapidamente para de fazer desenhos sob suas pinturas, passando a desenhar com o próprio pincel.”
A obra conecta a fase de Whistler como gravurista urbano ao domínio da pintura que viria a seguir. Com pinceladas rápidas e dinâmicas sobre uma figura feminina simples e idosa, antecipa em 15 anos temas que os impressionistas iriam explorar. “Não havia apreciado antes o quanto Whistler foi sempre um retratista psicologicamente penetrante”, disse Jacobi. “Mesmo sem saber quem é a mulher camponesa, temos uma forte sensação de sua personalidade.”
A exposição na Tate Britain inclui ainda obras célebres como “At the Piano” (1858), “Wapping” (1860–64) e “Arrangement in Grey and Black No. 1” (1871), o famoso retrato da mãe do artista.