UE tira financiamento da Bienal de Veneza após retorno da Rússia

A União Europeia cumpre a ameaça e cancela o financiamento ao evento depois do retorno do pavilhão russo

A União Europeia tornou oficial o que já vinha ameaçando fazer desde a primavera: retirou cerca de 2,3 milhões de dólares em financiamento da Bienal de Veneza em resposta à volta da Rússia ao evento. A verba, uma doação plurianual de dois milhões de euros, estava condicionada a que o pavilhão russo não fosse adiante como planejado. Foi adiante, e a Comissão Europeia cumpriu o aviso.

Em nota, o porta-voz da Comissão, Thomas Regnier, explicou que o dinheiro dos contribuintes europeus deveria financiar eventos culturais que respeitem “valores democráticos, diálogo aberto, diversidade e liberdade de expressão”, valores que, segundo ele, a Rússia de hoje não contempla. A organização da Bienal não respondeu ao pedido de comentário. Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a decisão, em veículos estatais russos, como uma tentativa de cancelar a cultura do país.

O retorno russo ao evento foi anunciado em março, encerrando um afastamento de quatro anos que começou dias depois da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Mesmo sob forte reação contrária, os organizadores da Bienal recusaram recuar, alegando rejeitar qualquer forma de censura à cultura e à arte. A decisão foi condenada pelo próprio governo italiano, e o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, chegou a boicotar o evento. A crítica mais dura, porém, veio da própria Comissão, que lembrou aos organizadores que instituições associadas à União Europeia devem cumprir as sanções vigentes e evitar dar palco a quem apoiou ou justificou a agressão do Kremlin contra a Ucrânia.

O polêmico Pavilhão da Rússia, com a mostra “The Tree is Rooted in the Sky”, foi comissionado por Anastasia Karneeva, filha de Nikolay Volobuyev, hoje vice-diretor-executivo da Rostec, fabricante de armamentos estatal russa. O espaço ficou aberto apenas durante a semana de pré-abertura da Bienal, em maio, e se tornou palco de protesto quando o coletivo punk-feminista Pussy Riot invadiu o local em 6 de maio.