
Um grupo de ativistas entrou com três ações contra o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (INBAL) para tentar impedir a saída da coleção Gelman Santander do México. O acervo, com 161 obras de Frida Kahlo, Diego Rivera, José Clemente Orozco, David Alfaro Siqueiros e María Izquierdo, embarca ainda este ano para uma turnê de dois anos que começa na Espanha.
As ações foram movidas pelo coletivo Defendamos la Colección Gelman em 29 de junho e 1º de julho. Cerca de 30 das obras têm status de “monumento artístico”, o que limita sua saída do país a permissões temporárias de exportação. Segundo os ativistas, o acordo que viabiliza a turnê internacional teria estendido essa circulação até 2030, além do previsto em lei.
A coleção foi reunida pelo produtor de cinema Jacques Gelman e pela mulher, Natasha Zahalka, na Cidade do México, nos anos 1940. Em janeiro, passou a ser administrada pela Fundação Santander, com o banco planejando exibi-la a partir de setembro no Faro Santander, na Espanha. Um acordo tripartite revelou que o acervo está, desde 2023, sob propriedade parcial da família Zambrano, do setor de cimento.
O historiador da arte Francisco Berzunza, fundador do Defendamos, questiona a compra da coleção pelos Zambrano em 2023, negociada com Robert Littman, executor do testamento de Zahalka, que teria se tornado curador e também proprietário do acervo. Ele afirma que o governo mexicano nunca divulgou os termos das permissões de exportação nem o acordo com o Santander, e relata retaliações contra membros do grupo, incluindo perda de financiamento e cancelamento de contratos de parentes, além de críticas da presidente Claudia Sheinbaum, que classificou os ativistas como adversários políticos.
Em nota, o INBAL afirmou que a coleção seguirá, após a Espanha, para a Fundação Beyeler, na Basileia, e depois para o Museu Nacional da Noruega, retornando ao México em 2028 para exposição no Museu de Arte Contemporânea de Monterrey. O órgão e a Fundação Santander negam qualquer transferência de propriedade das obras.