Mercado de arte enfrenta incertezas após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de Trump

Mesmo após considerar ilegais as tarifas anteriores, novo pacote de até 15% mantém instabilidade e pressiona negociações, transporte e custos no setor

Foto: AP Photo/Rahmat Gul

O mercado de arte internacional segue lidando com um cenário de instabilidade após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou inconstitucionais as tarifas impostas unilateralmente por Donald Trump. A expectativa de maior clareza nas regras comerciais, no entanto, durou pouco.

No mesmo dia da decisão, o presidente anunciou um novo pacote de tarifas de até 15% sobre importações globais, desta vez amparado por outra legislação de emergência. Diferentemente das medidas anteriores, essas taxas têm validade inicial de 150 dias, mas também já enfrentam contestações judiciais — ampliando ainda mais a incerteza para galerias, colecionadores e casas de leilão.

A decisão da Suprema Corte, apoiada por seis dos nove juízes, reafirmou que a definição de tarifas é prerrogativa do Congresso, e não do Executivo. Ainda assim, a rápida substituição por um novo regime tarifário deixou o setor em um estado de suspensão. Para muitos agentes do mercado, a sensação é de instabilidade permanente.

Negociantes relatam dificuldades práticas imediatas. Custos de envio dispararam, rotas logísticas foram interrompidas e, em alguns casos, transportadoras passaram a recusar determinados fretes. A situação é agravada pelo aumento global dos preços de combustível, impulsionado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — fator que impacta diretamente o transporte de obras e objetos colecionáveis.

Embora obras de arte frequentemente se enquadrem na categoria de “materiais informacionais”, que pode garantir isenção tarifária, essa proteção não se estende a todos os segmentos. Objetos de artes decorativas, como móveis e itens colecionáveis, permanecem sujeitos às taxas, afetando especialmente antiquários e galeristas.

Diante desse cenário, muitos profissionais adotam uma postura cautelosa. Alguns optam por negociar apenas obras já localizadas nos Estados Unidos, evitando custos e riscos adicionais. Outros repassam os encargos aos compradores, contribuindo para a elevação dos preços.

Em um setor historicamente dependente de circulação internacional, previsibilidade e confiança, a volatilidade tarifária se tornou um novo fator estrutural de risco.