
O que parecia ser o capítulo final de um dos maiores escândalos de falsificação da história da arte canadense ganhou um novo desdobramento. A sentença de Jeff Cowan, condenado por vender obras falsas atribuídas ao artista indígena Norval Morrisseau, foi adiada após novas acusações apresentadas pela defesa durante a audiência judicial.
Cowan havia sido considerado culpado em novembro de 2025 por quatro acusações relacionadas à venda de pinturas falsificadas do artista, conhecido como o “Picasso do Norte”. A expectativa era que sua sentença encerrasse um caso que expôs um vasto esquema de fraude no mercado de arte.
Durante a audiência em Barrie, na província de Ontário, porém, o advogado de defesa apresentou novos documentos sugerindo que membros do círculo do próprio artista poderiam ter participado da produção ou circulação de falsificações. A alegação provocou uma reação imediata de representantes do espólio de Morrisseau, que ameaçaram tomar medidas legais caso essas acusações fossem repetidas no processo.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla que revelou a existência de redes organizadas responsáveis por milhares de pinturas falsas atribuídas ao artista, com prejuízos estimados em dezenas de milhões de dólares e impacto profundo na reputação de Morrisseau no mercado internacional.
As autoridades canadenses chegaram a classificar o esquema como “um dos maiores casos de fraude artística já investigados”, envolvendo vários suspeitos e centenas de obras apreendidas.
Com as novas acusações, a sentença de Cowan foi temporariamente suspensa enquanto o tribunal avalia os desdobramentos legais, prolongando uma disputa que há anos divide especialistas, colecionadores e representantes da comunidade indígena ligada ao artista.