Por onde estão nossos Artistas Apostas? – viradas e desdobramentos de 2025

Doze artistas e os movimentos que definiram suas presenças este ano

Em 2024, reunimos um panorama dos Artistas Aposta, considerando suas pesquisas, circulações e modos de atuação naquele momento. Agora, no oitavo ano da seção, retomamos esse conjunto com o foco em 2025, acompanhando como algumas atuações se ampliaram em instituições, bienais, prêmios e novas representações, enquanto outros nomes se tornaram mais presentes no nosso radar.

O recorte junta consolidações, viradas e chegadas recentes e aponta como cada artista expandiu sua presença ao longo do ano.

Gilson Plano, “A noite”, 2021

Gilson Plano | indicado em 2022

Em seus projetos, Gilson Plano se dedica a entender como a forma, quando colocada em relação às tensões e pesos distintos, produz modos de perceber e imaginar o mundo – especialmente no contexto brasileiro, onde sua pesquisa se ancora. Ao lidar com peso, contato e estabilidade, o artista produz situações em que a matéria deixa ver processos, histórias e arranjos que normalmente passam despercebidos.

Sua individual “Sem Obstáculo”, recém-inaugurada no Auroras (até 07.03.26), apresenta simultaneamente a instalação “A Noite” (2023) e a escultura “O Arco” (2025), instalada no jardim em diálogo direto com a arquitetura modernista do espaço e com a obra de Ivens Machado ali presente. Também em 2025, o artista integrou as coletivas “9ª Bolsa Pampulha: Camará” no CCBB Belo Horizonte; “O ouro e a madeira” na Quadra, São Paulo; e “Entre Corpos” no MAC Niterói. É representado pela Quadra, com sedes em São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Janaina Wagner, “O Segundo Sol” (still), 2025. Crédito: Janaina Wagner/Divulgação

Janaina Wagner | indicada em 2018

Nas obras de Janaina Wagner, cinema, desenho e instalação se articulam para investigar como narrativas ficcionais influenciam formas de controle e modos de perceber o território. A artista cria imagens que se aproximam da lógica do mito e da distopia, a partir das quais analisa transformações ambientais, disputas históricas e as relações de domínio que o ser humano estabelece com o mundo.

Acaba de inaugurar na galeria Sardenberg, que a representa, a individual “Eu sou matéria derretida escorregando do dentro da terra para te contar coisas interiores:”, desdobramento da vídeo-instalação “Quando o segundo sol chegar / Um cometa nos teus olhos” (2025). Há alguns meses, o trabalho também havia sido exibido na Sala de Vídeo do MASP, ao lado de “Curupira e a máquina do tempo” (2021) e “Quebrante” (2024). A artista apresentou ainda a individual “A Comet in Your Eyes” no Museu Sursock, em Beirute, e participou das coletivas “Era uma vez: história do céu e da terra” na Pinacoteca de São Paulo e “Judeus na Amazônia” no MUJ.

 

Olinda Tupinambá, “Marulho”, 2025. Foto: performance de Lila Rodriguez. Cortesia Christal Galeria

Olinda Tupinambá | indicada em 2023

Artista, performer, produtora cultural e realizadora audiovisual, Olinda Tupinambá parte do corpo como espaço de transformação e articulação política. Suas performances e vídeos tratam da relação entre humanidade e ambiente, da presença de entidades espirituais e de modos indígenas de pensar o futuro em diálogo com o território – temas que ela conecta ao ativismo desenvolvido na Terra Indígena Caramuru.

Em 2025, participa da exposição internacional promovida pela instituição britânica The Gallery no programa “It’s Not Easy Being Green”, com a obra “Marulho” (2025), foto-performance de Lila Rodriguez e premiada para representar o Brasil na COP30. A mostra circula por milhares de outdoors e telas digitais no Reino Unido e no Brasil, integrando a temporada cultural do British Council e do Instituto Guimarães Rosa. Em 2024, integrou o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza com a videoinstalação “Equilíbrio”. É representada pela Christal Galeria, em Recife.

 

Nicholas Steinmetz, “Romance e Fantasia”, 2025. Cortesia do artista

Nicholas Steinmetz | indicado em 2025

Camadas de tinta, vestígios gráficos dos quadrinhos e experiências pessoais compõem o território onde a pintura de Nicholas Steinmetz acontece. O artista leva para o trabalho um modo de construir imagens que nasce das publicações independentes, mas que se abre a composições menos lineares. Figuras humanas, animais, objetos e sinais dispersos se acumulam e formam planos carregados, sempre à beira de se recompor ou se dispersar. A pintura se estende para além da tela, avança para o chão, para a madeira e para suportes improvisados, em um processo que incorpora o acaso e faz do ateliê uma parte ativa da obra.

Neste ano, apresentou a individual “ARCADA” na galeria 25M, com curadoria de Marina Schiesari. Participou de diversas exposições coletivas, incluindo “Dobradinha”, duo com Felipa Queiroz na Gruta; “Na Ponta da Língua”, pela Ora Galeria; e “Dispositivos de Contra-Memória”, no Virtua 3000. Em 2024, durante a residência Sala Aberta do MAC Paraná, Steinmetz ocupou um espaço de 400 metros quadrados no Museu Oscar Niemeyer, convertendo o ambiente em ateliê e exposição simultaneamente – experiência que deu origem à mostra “Pé de Galinha”.

Guerreiro do Divino Amor, “Trilogia Cristalizada de Brasília: Formação, cristalização e desabrochar de uma nova Alvorada”, 2022 detalhe. Cortesia do artista

Guerreiro do Divino Amor | indicado em 2018

Mestre em arquitetura, Guerreiro do Divino Amor (Suíça, 1983) investiga as Superficções – estruturas simbólicas, históricas, sociais e midiáticas que interferem na construção dos territórios e do imaginário coletivo, produzindo um universo de ficção científica sustentado por fragmentos de realidade. Sua obra assume diferentes formatos, como filmes, publicações, objetos, instalações, além de conferências que ampliam o alcance desse vocabulário, muitas vezes com um toque de humor ácido e surreal.

Em 2025, o artista suíço-brasileiro participa da mostra “20 anos da Residência Artística FAAP – São Paulo: contribuições para uma coleção de arte contemporânea”, atualmente em cartaz (até 15/02/2026), e integrou a coletiva “Nossa Senhora do Desejo” na Almeida & Dale. Atualmente está em Manaus desenvolvendo o 8º capítulo do “Atlas Superficcional Mundial”, pensado como uma grande alegoria de ficção científica. Em 2024, representou a Suíça na Bienal de Veneza com o projeto solo “Super Superior Civilizations” e participou da Bienal de Arte de Bangkok com “Roma Talismano”. Recentemente passou a ser representado pela galeria Portas Vilaseca, no Rio de Janeiro.

 

Fernanda Galvão, “Ovo de peixe”, 2025. Cortesia Casa Triângulo

Fernanda Galvão | indicada em 2019

Fernanda Galvão parte das estruturas internas do corpo, como entranhas, tecidos, fluidos e imagens microscópicas, ampliando esse repertório para paisagens naturais e imaginários próximos à ficção especulativa. A pintura é seu eixo de trabalho, e nela a artista desenvolve superfícies que combinam observação biológica, referências da literatura e do cinema e a investigação de formas que oscilam entre o orgânico e o indeterminado. Filmes, instalações e esculturas aparecem como desdobramentos desse mesmo vocabulário.

Recentemente, inaugurou a individual “Duas luas” (até 20.12.25) na Casa Triângulo, galeria que a representa. Também vem reunindo, em sua trajetória recente, individuais internacionais em cidades como Nova York, Copenhague e Seul. Neste ano também integrou as coletivas “Alien Shores: landscape, once removed”, com curadoria de Susanna Greeves, na White Cube Bermondsey; “Cell Struggles”, na Foundry Seoul, Coreia do Sul; e “Meu Quintal é Maior que o Mundo”, com curadoria de Priscyla Gomes, na Casa Triângulo, em São Paulo.

 

Josi, “Luz de picão”, 2024. Cortesia Mendes Wood DM

Josi | indicada em 2022

Preparar pigmentos naturais, manipular a matéria com as mãos e seguir a reação de cada superfície formam a base do modo como Josi produz suas obras. O processo envolve uma relação física contínua, que dá origem a objetos e superfícies marcados pela presença do corpo e pela resposta específica de cada material. Suas referências também se conectam a vivências e saberes transmitidos em comunidades do Vale do Jequitinhonha, Itamarandiba, Carbonita e Caeté. Ao se afastar das narrativas dominantes da história da arte ocidental, constrói um vocabulário próprio ancorado em práticas ancestrais e em relações desenvolvidas no contato cotidiano com os materiais.

Em 2025, participa de “Histórias da ecologia” no MASP (até 01.02.26) e integrou “Quando atitudes se tornam escola” no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e “Alumbramento” no Museu Nacional da República, em Brasília. Sua produção tem se destacado em mostras institucionais que discutem material e modos de fazer, incluindo processos coletivos. É representada pela Mendes Wood DM, em São Paulo.

 

Detalhe da obra de Juliana dos Santos. Crédito: Levi Fanan/Divulgação

Juliana dos Santos | indicada em 2020

A pesquisa de Juliana dos Santos articula arte, história, educação, processos participativos e uma atenção constante às dimensões do tempo – o da natureza, o da pesquisa e o da própria prática artística. Há anos, a artista investiga o azul extraído da flor Clitoria ternatea, inserindo essa cor em instalações, vídeos, pinturas e performances que discutem como artistas negros enfrentam os limites da representação. Em seus trabalhos, processos coletivos e a abertura ao acaso orientam uma dinâmica que se constrói no encontro entre matéria e prática pedagógica.

Em 2025, tornou-se a primeira artista selecionada para a residência inaugurada pela Pinacoteca de São Paulo em parceria com a Chanel, que resultou na exposição “Temporã”, em cartaz até 8 de fevereiro de 2026 na Galeria Praça da Pina Contemporânea. A artista também integra a 36ª Bienal de São Paulo e participou das coletivas “Arterea” (projeto AR, idealizado pela Kura e Fernanda Abdalla) e “Fartura” na Galeria Luisa Strina. Suas obras integram os acervos da Pinacoteca, do Museu da Língua Portuguesa e do Centro Cultural São Paulo.

 

Gustavo Caboco, “Retorno à maloca”, 2024. Foto: Julia Thompson

Gustavo Caboco | indicado em 2021

Gustavo Caboco, do povo Wapichana, desenvolve uma pesquisa que articula desenho, têxteis, pintura, performance, vídeo, literatura, cinema e práticas comunitárias para refletir sobre deslocamentos indígenas, memória e processos de (re)territorialização. Seus trabalhos frequentemente ativam narrativas ligadas à Serra da Lua, em Roraima, e às trajetórias de seu povo, fazendo da arte um meio para reinscrever histórias e responder a apagamentos persistentes na relação entre povos indígenas no Brasil.

Em 2025, lançou o curta “Makunaima é Duwid?”, que revisita narrativas tradicionais Wapichana e coloca em relação essas histórias com a figura de Macunaíma de Mário de Andrade, que completará 100 anos em 2028. Em março de 2026, a Pina Estação apresenta a exposição “Macunaíma é Duwid”, com curadoria do próprio artista. Em 2024, integrou a equipe curatorial do Pavilhão Hãhãwpuá, que representou o Brasil na 60ª Bienal de Veneza. É representado pela galeria Almeida & Dale, em São Paulo.

 

Vista da instalação de Karola Braga na La Nueva Fábrica. Cortesia Galeria Luis Maluf

Karola Braga | Indicada em 2019

O ponto de partida de Karola Braga é o deslocamento sensorial provocado pelo olfato, entendido pela artista como um campo que envolve estética, percepção e dinâmicas políticas. A artista mobiliza resinas, fumaça, cerâmica e cera ao lado de substâncias sintéticas, polímeros e microencapsulação para criar situações em que o cheiro estrutura o espaço e reorganiza a experiência do público. Em suas instalações e rituais olfativos, investiga como lembranças, apagamentos e processos de continuidade cultural se manifestam quando a percepção deixa de ser guiada prioritariamente pela visão.

Sua individual “O mergulho de Naïá” acaba de abrir no Beco do Pinto | Museu da Cidade de São Paulo (até 07.03.26). Em maio de 2025, foi contemplada com o Prêmio Sadakichi, no Art and Olfaction Awards, em Los Angeles, pelo ritual olfativo “Sfumato”, realizado no deserto saudita e apresentado no Desert X AlUla. Em julho do mesmo ano apresentou a individual internacional “The Sacred Sensorial Dimension of Scents” na La Nueva Fábrica, em Antígua, Guatemala. É representada pela Galeria Luis Maluf, em São Paulo.

 

Val Souza, “Vênus” (detalhe), 2023. Divulgação IMS Paulista

Val Souza | indicada em 2022

Val Souza desenvolve uma prática centrada na performance e na construção de imagens de si para refletir sobre como mulheres negras foram e seguem sendo representadas na história da arte e na cultura visual. Referências filosóficas, iconográficas e corporais se desdobram em ações que fazem da presença física um campo de questionamento, aproximando o público de discussões sobre modos de ver e sobre a formação dessas narrativas.

Atualmente participa da mostra “Debret em Questão — Olhares Contemporâneos” no Museu do Ipiranga (até 17.05.26), que revisita a influência persistente da iconografia de Jean-Baptiste Debret. Recebeu a Bolsa ZUM/IMS (2020), foi selecionada no concurso Life Before Colonialism da Place Africa/Black Academy em parceria com o Goethe Mannheim (2022) e participou de exposições no Teatro Municipal de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, Pinacoteca do Ceará e, em 2023, do programa Nova Fotografia no MIS-SP.

 

Obra de Caio Marcolini realizada durante a residência na Oficina de Caldeireiros do Loulé Criativo. Foto Rafael Barros

Caio Marcolini | indicado em 2018

Entre técnicas herdadas da ourivesaria e procedimentos vindos do desenho industrial, Caio Marcolini desenvolveu um método próprio de tecelagem que conduz a criação de objetos situados entre o funcional e o escultórico. Sua atenção recai sobre as mudanças do material, as variações de superfície e as respostas que surgem durante o processo de fabricação.

Recentemente apresentou a individual “Criaturas” na Cassia Bomeny Galeria, no Rio de Janeiro, com curadoria de Marcus Lontra. Também realizou a individual “Nem Toda Repetição É Uma Volta” na Galeria Lica Pedrosa, e exibiu “Superfícies” no Palácio Gama Lobo, em Loulé, Portugal, resultado de sua residência na Oficina de Caldeireiros do Loulé Criativo. É representado pela AM Galeria de Arte, com sedes em São Paulo e Belo Horizonte.

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