Cerca de 140 funcionários do Seattle Art Museum anunciaram, na quarta-feira (13), a criação do SAM Workers United, sindicato que reúne profissionais de diferentes departamentos da instituição em filiação ao Washington Federation of State Employees / AFSCME Council 28. O grupo entregou nesta semana uma carta à diretoria e ao Conselho de Curadores do museu pedindo o reconhecimento voluntário do sindicato. Em paralelo, registrou solicitação formal junto ao National Labor Relations Board (NLRB) — órgão federal que conduz eleições sindicais nos Estados Unidos —, procedimento que será acionado caso a diretoria não conceda o reconhecimento por vias diretas.
Em comunicado público, os organizadores descreveram a campanha como parte de um esforço mais amplo de melhorar as condições de trabalho dentro da instituição e enfrentar problemas estruturais que afetam funcionários de diferentes setores. Entre as preocupações listadas estão salários, benefícios de saúde, transparência interna, retenção de profissionais e processos de tomada de decisão considerados verticais demais. As demandas centrais incluem remuneração sustentável, proteções mais robustas no ambiente de trabalho, ampliação de benefícios e estruturas de governança interna mais colaborativas. Os funcionários também solicitaram à direção do museu que respeite o processo de organização e evite táticas antissindicais durante a campanha.
Após o anúncio, o grupo realizou uma coletiva de imprensa em frente ao museu, com a participação de organizadores sindicais e de membros do Tacoma Art Museum Workers United — sindicato de trabalhadores de uma instituição vizinha, também no estado de Washington. April Sims, presidente do Washington State Labor Council, falou no evento em apoio à mobilização. Segundo os organizadores, o SAM Workers United já conta com o apoio de uma supermaioria expressiva entre os funcionários elegíveis, condição que costuma facilitar o reconhecimento direto sem necessidade de eleição supervisionada pelo governo federal.
A iniciativa se insere num movimento mais amplo de sindicalização que atravessa instituições culturais americanas nos últimos cinco anos — um processo acelerado pelos efeitos da pandemia sobre o setor cultural e por demandas crescentes em torno de equidade salarial, governança e estabilidade. A articulação em torno do programa Cultural Workers United, da AFSCME (American Federation of State, County and Municipal Employees), tem sido o vetor institucional dessa onda. Nos últimos anos, museus como o Whitney, o Museum of Modern Art (MoMA), o Guggenheim, o Philadelphia Museum of Art e o Walker Art Center, em Minneapolis, viram movimentos similares se concretizar — em alguns casos com greves e negociações longas, em outros com reconhecimento mais rápido por parte da gestão.
Os funcionários do SAM ressaltaram que parte do quadro do museu já é sindicalizada, em especial a equipe de segurança, e que a nova mobilização busca estender as proteções coletivas a um conjunto bem mais amplo de profissionais. A mensagem central dos organizadores enfatiza estabilidade, proteção e uma cultura institucional mais equitativa como motivações principais da campanha. O posicionamento da diretoria do museu nas próximas semanas — em particular sobre conceder ou não o reconhecimento voluntário — será o primeiro indicador concreto de como Seattle vai responder a um movimento que, no panorama dos museus americanos, deixou de ser exceção e passou a ser tendência consolidada.
