Há menos de um mês, a Art Basel fechou as portas com seu melhor desempenho coletivo em três anos. Mas, ainda que o alívio tenha sido real – depois de 2 anos de retração –, a confiança que voltou não parece a mesma que havia ido embora. É, por sua vez, mais estreita, mais seletiva e muito mais concentrada nos dois extremos do espectro de preços.
O relatório Art Basel & UBS Global Art Market Report 2026 confirma que vendas globais subiram cerca de 4% em 2025, alcançando US$ 59,6 bilhões. O crescimento foi puxado por leilões e por um número reduzido de obras ultra-valorizadas – tendo a renda das galerias permanecido praticamente estagnada. Em Basel, o padrão se repetiu em escala mais tímida com um Picasso na casa de US$ 35 milhões, um Richter por US$ 20 milhões, filas de espera no VIP preview descrito por galerias como “um dos dias mais sólidos em termos de vendas iniciais” nos últimos anos. Abaixo de US$ 150 mil, o movimento também foi ágil e, entre esses dois pontos, houve ainda alguma hesitação.
Essa forma de distribuição entre dois extremos, no entanto, é mesmo algo que o mercado encontrou para voltar à roda sem se expor muito (tanto que vimos coisa parecida na última edição da SP-Arte). Compradores perseguiram qualidade e procedência, e foram cuidadosos com obras frescas. A própria feira criou um dispositivo para forçar o movimento, apelidado