
Paulo Bruscky começou sua carreira em Recife no fim dos anos 1960, sob a ditadura militar. Foi preso, interrogado e torturado pelo regime. Mas sua produção recusa ser definida apenas por esse contexto: ela afirma a arte como campo de circulação, comunicação e invenção, construída à margem dos centros hegemônicos e com os meios que estivessem ao alcance, cartas, envelopes, máquinas, fax, Super-8.
A partir desta sexta-feira (4), o MAC Bahia, em Salvador, apresenta “Transliquidificação Poética”, grande exposição do artista com curadoria de Daniel Rangel. A mostra reúne mais de 100 obras da coleção do próprio Bruscky e da Galeria Nara Roesler, percorrendo diferentes momentos e linguagens de sua trajetória: poesia visual, livros de artista, performances, intervenções urbanas, filmes Super-8 e mail art, prática que o tornou referência internacional ao transformar o sistema postal em circuito artístico alternativo.
Em 2013, quando Bruscky foi apresentado ao público americano na exposição “Art Is Our Last Hope”, no Bronx Museum, a crítica do New York Times Martha Schwendener destacou justamente essa dimensão de seu trabalho: a possibilidade de fazer arte “em qualquer lugar” e de entendê-la como forma de comunicação e esperança.