
Pesquisadores do Fitzwilliam Museum, em Cambridge, identificaram em um papiro egípcio de cerca de 3.300 anos o que pode ser considerado uma espécie de “corretivo” da Antiguidade. A descoberta foi feita durante estudos para a exposição Made in Ancient Egypt, dedicada às técnicas e aos processos de produção de objetos no Egito antigo.
O documento mostra que um escriba aplicou uma camada de pigmento branco sobre parte do texto original antes de reescrever o conteúdo por cima — um procedimento comparável ao uso moderno de corretivos como o Tipp-Ex. A análise sugere que o método permitia apagar erros ou ajustar passagens sem a necessidade de descartar o papiro.
Segundo especialistas do museu, o achado revela aspectos práticos do trabalho dos escribas egípcios, indicando que revisões e correções já faziam parte do processo de produção textual há milênios. O uso do pigmento demonstra também o conhecimento técnico desses profissionais sobre materiais e superfícies de escrita.
A descoberta ajuda a entender melhor como documentos administrativos, religiosos ou literários eram produzidos no Egito antigo e mostra que, mesmo em uma cultura altamente valorizada pela precisão dos registros, erros e revisões eram inevitáveis.