
No dia 28 de fevereiro, quando os primeiros ataques aéreos americano-israelenses atingiram Teerã, Reza Dabirinezhad, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Teerã, estava numa reunião quando sentiu as explosões. Ele voltou correndo ao museu, dispensou funcionários não essenciais e começou, com uma equipe reduzida, a proteger um dos acervos mais valiosos do mundo.
Avaliada em cerca de 3 bilhões de dólares, a coleção do TMoCA é considerada o maior conjunto de arte moderna ocidental fora da Europa e dos Estados Unidos. Reunida na década de 1970 por Farah Pahlavi, esposa do então xá do Irã, inclui cerca de 60 obras de Picasso, além de peças de Warhol, De Kooning, Pollock, Hockney, Van Gogh e Renoir.
Após quase 40 dias de conflito e um cessar-fogo anunciado em 8 de abril, o museu reabriu com um programa semanal e rotativo chamado “Arte e Guerra”, dedicado a explorar respostas artísticas a conflitos ao longo da história. A primeira semana trouxe obras de artistas pop americanos como Roy Lichtenstein e Robert Indiana. Esta semana, o foco é a Espanha, com 11 obras de Picasso, Antoni Tàpies, Robert Motherwell e Juan Genovés sobre a Guerra Civil Espanhola, incluindo peças da série “Mulher que chora”, desenvolvida após o Guernica.
A reabertura não significa normalidade. O museu segue operando em “modo de guerra”, com número limitado de obras em exibição e protocolos de emergência ativos, caso seja necessário proteger o acervo novamente. Uma das operações mais delicadas durante o conflito envolveu a instalação “Matter and Mind” (1977), do artista japonês Noriyuki Haraguchi, que contém mais de 4 mil litros de óleo residual num grande tanque. Com medo de que explosões causassem derramamento ou incêndio, a equipe retirou cerca de 80% do óleo e manteve os barris ao lado da obra para permitir a restauração posterior.
O programa inclui ainda música ao vivo, exibições de documentários e palestras. Nas próximas semanas, o foco se voltará para o México e, em seguida, para o Irã. “A guerra, por sua natureza, é anti-humana, enquanto a arte busca criar narrativas humanas”, disse Dabirinezhad.