
Por décadas, a Art Basel vendeu a promessa do ao vivo. Mas o mercado encontrou alguns atalhos como PDFs enviados semanas antes da abertura, obras negociadas antes de qualquer visitante pisar no pavilhão e apresentações esgotadas antes mesmo do vernissage.
Este ano, a feira decidiu reagir a essa dinâmica do mercado. Com uma iniciativa chamada Basel Exclusive, a edição de Basileia — mais antiga e simbólica, que apelidam como “mothership” — exigiu das galerias que guardassem suas obras mais importantes para o momento em que o público chegasse na feira presencialmente.
O funcionamento é simples: as galerias participantes se comprometem a não incluir determinadas obras em previews digitais, salas de visualização online ou materiais enviados a clientes antes da abertura. Essas peças só serão reveladas durante o “First Choice VIP preview”, em 16 de junho, e ficarão sinalizadas nos estandes com uma plaqueta “Basel Exclusive”, à semelhança do que já existe no setor Kabinett.
Das 232 galerias do setor principal da feira, cerca de 83%, 193 delas, aderiram à iniciativa. Entre as galerias, nomes como Gagosian, Hauser & Wirth, David Zwirner, Pace, Perrotin, Thaddaeus Ropac e a brasileira Fortes D’Aloia & Gabriel, estão inclusas na lista de participantes. Cerca de 230 artistas – históricos e contemporâneos – serão cobertos pela restrição, como Hélio Oiticica, Jean-Michel Basquiat, Louise Bourgeois, Pablo Picasso, Andy Warhol, Joan Mitchell, Cy Twombly e Arthur Jafa.
Para Vincenzo de Bellis, diretor artístico global da Art Basel, a ideia central é restaurar o valor de estar presente em Basileia e lembrar ao mercado que a experiência presencial não tem substituto digital. A iniciativa é resultado de um diálogo contínuo com as galerias e responde também a pedidos de colecionadores que desejam encontrar algo na feira que não tivessem visto antes.

A edição suíça, fundada em 1970, tem enfrentado concorrência crescente da Art Basel Paris, inaugurada em 2022 e amplamente vista como a edição mais vibrante do momento, favorecida pela atratividade da cidade e pela facilidade de acesso para colecionadores norte-americanos e europeus.
Introduzir uma forma de escassez que exige presença física pode ser exatamente o que Basileia precisa para reafirmar sua centralidade, e para lembrar ao mercado que há algo que nenhum PDF é capaz de substituir.