
David Hockney morreu na noite da última quinta-feira (11), aos 88 anos. O pintor britânico, nascido em Bradford, no Yorkshire, em 1937, era uma das figuras mais amadas e reconhecíveis da arte do século 20, admirado por especialistas e pelo público em geral com uma intimidade rara no mundo da arte contemporânea.
Hockney ficou célebre pelas piscinas californiana, pelas figuras masculinas banhadas de luz e pelos retratos de amigos e família que combinavam linhas aparentemente simples com uma sofisticação cromática inconfundível. Entre seus trabalhos mais icônicos estão “Mr and Mrs Clark and Percy” (1971), “Pearblossom Highway” (1986) e “Portrait of an Artist / Pool with Two Figures” (1972), que em 2018 se tornou a obra de um artista contemporâneo vivo mais cara já vendida em leilão, atingindo 90 milhões de dólares.
Grande mestre da pintura tradicional, Hockney nunca parou de se reinventar. Perto dos 80 anos, passou a usar o iPad como suporte, transformando aplicativos em paletas e telas digitais numa série de paisagens, naturezas-mortas e flores que enviava aos amigos todas as manhãs. “Desenho flores todo dia e mando para meus amigos, que assim têm flores frescas toda manhã”, dizia.
Além de pintor, foi cenógrafo de prestígio, assinando produções no Metropolitan Opera de Nova York e no Glyndebourne Festival, fotógrafo e pensador sobre arte e percepção visual. Viveu por mais de 30 anos em Los Angeles antes de retornar definitivamente a Londres em 2023. Tinha como referências Piero della Francesca, Hogarth, Cézanne e, acima de todos, Picasso, cujo catálogo mantinha na cabeceira da cama.
Uma grande retrospectiva estava em cartaz na Fondation Louis Vuitton, em Paris, desde abril.