
Antes de sua inauguração oficial, o MIS de Copacabana abre as portas para contar a própria trajetória. A exposição “Arquitetura em cena: o MIS antes da imagem e do som” inaugura a visitação gradual do museu e apresenta ao público os mais de 16 anos de idas e vindas que marcaram sua construção.
Instalado na Avenida Atlântica, o novo edifício ocupa uma posição estratégica na paisagem de Copacabana e foi concebido como um dos principais projetos culturais do Rio de Janeiro nas últimas décadas. Com arquitetura assinada pelo estúdio nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro em parceria com o escritório de arquitetura e urbanismo Indio da Costa, o museu propõe uma integração direta com a cidade e, agora em abril, começa a ser ativado de maneira progressiva, ainda em funcionamento parcial.
As obras, iniciadas em 2010, avançaram de forma irregular ao longo dos anos seguintes. Problemas de financiamento, mudanças de governo e entraves administrativos provocaram sucessivas paralisações, transformando a instituição em um dos exemplos mais emblemáticos de projetos culturais atravessados por instabilidade institucional no país. Só que, ao longo desse período, o edifício inacabado passou a integrar a paisagem da cidade como uma promessa continuamente adiada. A fachada sinuosa, que remete ao calçadão desenhado por Burle Marx, virou, um dos elementos mais reconhecíveis do projeto.

A exposição inaugural tem como foco a própria construção do museu. Em vez de apresentar um acervo consolidado, a mostra se volta aos bastidores da obra da instituição, reunindo maquetes, plantas, registros audiovisuais e documentos que mostram as transformações do projeto ao longo do tempo.
Diante desse contexto, a arquitetura assume o centro da narrativa e antecipa um posicionamento institucional que coloca o processo no foco da experiência do museu. Em um edifício que ainda não opera plenamente, a exposição funciona também como dispositivo de ativação do espaço e de aproximação com seu público, ao evidenciar as complexidades envolvidas na concretização de um projeto dessa escala no Brasil. A mostra revela, assim, um museu em formação.
Com visitação ainda restrita e funcionamento parcial, o MIS inicia sua trajetória pública sem um calendário plenamente definido. Ainda assim, a abertura, mesmo que gradual, reposiciona o projeto no debate cultural da cidade, após anos em que sua conclusão parecia incerta.
Se por um lado o edifício finalmente se torna acessível, por outro, sua consolidação como instituição dependerá dos próximos passos: relevância de acervo, definição de programação, ativação contínua de seus espaços e inserção efetiva no circuito cultural do Rio de Janeiro. Após 16 anos de obra, o desafio deixa de ser apenas construir o museu e passa a ser fazê-lo funcionar.