MAM Rio inaugura mostra com obras de Tarsila do Amaral e Alfredo Volpi

"Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio" abre em 25 de julho e articula a história do museu, fundado em 1948, à trajetória da arte brasileira dos séculos 20 e 21

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugurou, no último sábado, 25 de julho, uma exposição de longa duração que promete mudar a relação do público com seu próprio acervo. “Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio”, viabilizada por parceria com a Petrobras, reúne cerca de 170 artistas num percurso permanente que passa a garantir acesso contínuo a um patrimônio historicamente restrito a mostras temporárias.

A mostra parte do próprio impulso que originou o museu: o projeto modernista que, nas primeiras décadas do século 20, buscava construir uma arte capaz de expressar a singularidade cultural brasileira, e que culminou na fundação do MAM Rio em 1948. A partir dessa origem comum entre obra e instituição, a exposição acompanha os movimentos e linguagens que atravessaram a arte no país, ao mesmo tempo em que evidencia o papel do próprio museu em momentos decisivos dessa trajetória.

Organizada de forma cronológica em oito núcleos, batizados Modernismos, Abstrações além da forma, O impulso geométrico, O retorno da figuração, Arte experimental, A nova pintura nos anos 1980, Elementos apropriados e A partir de 1990, a mostra cruza obras da Coleção MAM Rio, da Coleção Gilberto Chateaubriand e da Coleção Joaquim Paiva. Entre os destaques estão “A Japonesa” (1924), de Anita Malfatti, e “Urutu” (1928), de Tarsila do Amaral, ao lado de nomes como Alfredo Volpi, Guignard, Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Ivan Serpa, Judith Lauand, Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Antonio Manuel, Artur Barrio, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto e Anna Maria Maiolino, entre muitos outros nomes centrais da arte brasileira desde o início do século passado.

Apesar da estrutura cronológica, a curadoria evita propor uma narrativa fechada ou linear. Obras que atravessam diferentes períodos históricos e uma expografia pensada para múltiplos percursos convidam o visitante a montar relações próprias entre momentos e linguagens distintas, um projeto que retoma referências do design moderno ao mesmo tempo em que abre espaço para leituras não hierárquicas do conjunto. A experiência é ampliada por QR codes distribuídos pela mostra, que dão acesso a documentos e fotografias do acervo do museu sobre episódios como o Ateliê de Gravura, os cursos de Ivan Serpa, as exposições Opinião 65 e Opinião 66 e as relações entre ditadura, arte e comunicação no Brasil.

O acervo do MAM Rio reúne mais de três milhões de itens entre obras, documentos e filmes, incluindo dezesseis mil obras distribuídas entre suas três coleções principais, um dos conjuntos mais relevantes da América Latina. Para Yole Mendonça, diretora executiva do museu, a mostra pretende ampliar o acesso a esse patrimônio e mostrar como as coleções oferecem uma leitura própria da história da arte brasileira, construída a partir da trajetória da própria instituição.