
Uma mulher que se diz única herdeira da retratada num longo perdido Klimt entrou com processo de restituição contra a casa de leilões austríaca Im Kinsky e contra Eva Ropper, apontada como consignadora da obra. A ação foi protocolada no Tribunal Supremo do Estado de Nova York por Patricia J. Leahy, residente na Carolina do Sul, que se apresenta como bisneta de Adolf Lieser, comitente do retrato.
A obra em questão é o “Retrato de Fräulein Margarethe Lieser” (1917), que Klimt estava pintando quando morreu em 1918. A família Lieser, de industriais judeus austríacos, foi perseguida pelos nazistas e perdeu quase todos os seus bens. O quadro desapareceu da esfera pública por um século antes de ser leiloado pela Im Kinsky em 2024 por 37,5 milhões de dólares, recorde para qualquer obra vendida em leilão na Áustria. O comprador, um colecionador de Hong Kong, retirou a oferta após não conseguir chegar a um acordo com todos os potenciais herdeiros.
Leahy afirma que jamais foi contactada antes do leilão e que, ao contestar a venda, foi advertida a não fazer declarações públicas nem procurar a imprensa, sob ameaça de ser responsabilizada por eventuais danos ao valor da obra. A queixa descreve o processo de restituição conduzido pela casa como “conscientemente falso”.
A escolha da Im Kinsky para a venda não seria acidental, segundo a ação. “Casas maiores, como Christie’s e Sotheby’s, têm diretrizes conhecidas sobre arte potencialmente saqueada”, diz o documento. “As leis austríacas sobre restituição de arte nazista não são tão rigorosas quanto as de outras jurisdições.”
O preço obtido também é contestado. Para efeito de comparação, o “Retrato de Elisabeth Lederer” (1914–16) de Klimt foi vendido por 236,4 milhões de dólares na Sotheby’s de Nova York em novembro passado, o maior valor já pago por uma obra de arte moderna em leilão. A Im Kinsky não respondeu a pedidos de comentário.