Dior traduz esculturas de Lynda Benglis em alta costura no Musée Rodin

Apresentada no Musée Rodin em Paris, a coleção outono-inverno 2026-27 traduz em tecido os nós, drapeados e formas da artista americana, que também colaborou nas bolsas da coleção

Foto: Kenzo TRIBOUILLARD / AFP via Getty Images

Jonathan Anderson voltou a Lynda Benglis. Três anos depois de homenagear a escultora americana em seu desfile da Loewe, o diretor criativo da Dior fez dela a protagonista de sua segunda coleção haute couture para a maison, apresentada na segunda-feira no Musée Rodin, em Paris.

“A coleção responde, na linguagem da alta costura, ao trabalho da escultora americana Lynda Benglis”, descreve o site da Dior. O ponto de partida é a prática de Benglis de partir de materiais bidimensionais e transformá-los, por meio de nós, drapeados e moldagens, em formas tridimensionais. A alta costura, argumenta Anderson, faz o mesmo com o tecido.

Os resultados aparecem em xales cinzas, tops em bronze e ouro e vestidos prateados com laços assimétricos que ecoam as formas tensas das esculturas de parede que Benglis começou a produzir nos anos 1970. Acessórios de cabeça que lembram suas esculturas mais volumosas aparecem em vários looks. Benglis também colaborou nas bolsas da coleção. Uma referência mais direta é o look 24, quase uma tradução literal de “Zanzidae, From the Peacock Series” (1979), obra inspirada nas aves que Benglis observou em Ahmedabad, na Índia, cidade com a qual a artista mantém relação de longa data.

“Ela é uma gênio, e acho que há algo na forma como ela olha para a forma que se torna quase muscular”, disse Anderson à WWD. “Ela estava muito à frente de qualquer pessoa, e só nos últimos dez anos as pessoas começaram a perceber o que ela havia feito.”