Galeria Vera Cortês encerra atividades após 23 anos

A galerista cita a pressão crescente do mercado e anuncia encerramento para 19 de dezembro, com duas exposições ainda previstas até lá

A galerista Vera Cortês anunciou hoje que vai encerrar no dia 19 de dezembro, depois de 23 anos de operação, as atividades da galeria que leva seu nome.

Fundada em Lisboa em 2006, a galeria nasceu de uma agência dedicada ao desenvolvimento de projetos específicos com artistas emergentes entre 2003 e 2006, antes de Cortês decidir expandir o programa para criar condições de colaboração continuada com cada artista. Ao longo de mais de duas décadas, tornou-se uma das referências do circuito contemporâneo português, com presença regular na Frieze, na Art Basel, na ARCOmadrid e em outras feiras internacionais.

Em comunicado, Vera Cortês escreveu que “a voragem do mercado e os seus ritmos vêm transformando definitivamente este negócio”, em que “a dimensão comercial e a crescente competição determinam cada vez mais o que se mostra, como e quando”. A galerista não descreveu o encerramento como derrota, mas como reflexo de certa desconfiança sobre o percurso que vem sendo tomado pelo mercado de arte nos últimos anos. “Encerro a Galeria Vera Cortês por sentir que o seu percurso se cumpriu, que adiante me aguardam outros desafios e outros modelos onde a minha paixão pela arte e pelos artistas se possa demorar e florescer, não como uma flor obrigada ao vaso, mas junto à terra e com os pés no chão”, escreveu.

Sediada em Alvalade, em Lisboa, a galeria representa nomes que vão de Alexandre Farto — mais conhecido por Vhils — até Gabriela Albergaria, passando também por Armanda Duarte, Carlos Bunga, Nuno da Luz e Susanne Themlitz, entre outros. Até dia 5 de setembro, fica em cartaz a exposição “O Esquema Narrativo”, de Ana Vieira. E, depois, a galeria vai ainda receber a primeira exposição individual em Portugal da francesa Béatrice Balcou, no outono.

Na rede social Instagram, o fotógrafo Daniel Blaufuks — um dos artistas representados por Cortês — comentou na publicação que dava conta do encerramento: “O melhor ainda está para vir.” Blaufuks foi também o artista da primeira exposição da galeria, em 2006, e da inauguração do espaço em Alvalade, em 2016 — uma continuidade que resume bem o tipo de relação que Vera Cortês construiu com os artistas que representou.