Há algo de cômico, e por isso mesmo revelador, na imagem de uma placa de advertência plantada na calçada em frente a um museu. Foi essa a determinação mais recente de Donald Trump contra o Instituto Smithsonian, e ela só faz sentido quando lida como o capítulo mais visível de uma disputa que já dura mais de um ano.
A guerra começou em março de 2025, quando Trump assinou a Ordem Executiva 14253, "Restaurando a Verdade e a Sanidade à História Americana". O texto denunciava um suposto esforço concertado, ao longo da década anterior, para reescrever a história do país substituindo os fatos. Era um diagnóstico amplo demais para qualquer instituição específica, mas o alvo escolhido foi, no fim, o Smithsonian, fundado em 1846, hoje uma rede de vinte e um museus, bibliotecas, centros de pesquisa e o próprio Zoológico Nacional (funcionando há dois séculos sob uma lógica de autonomia acadêmica que nenhuma outra instituição cultural americana possui na mesma escala).
Dali em diante, o roteiro seguiu a lógica de qualquer processo de cerco institucional: uma ameaça seguida de investigação que vira, por fim, uma punição. Em agosto de 2025, veio a revisão formal de oito museus da rede. Em 4 de julho deste ano, justamente no dia em que os Estados Unidos completavam 250 anos de independência, a Casa Branca divulgou...