
A Christie’s de Nova York encerrou na quarta-feira uma semana intensa de leilões com 162,6 milhões de dólares em duas sessões consecutivas, ficando logo acima do limite inferior da estimativa de 129 a 191 milhões. Com 95% dos lotes vendidos, a noite foi considerada satisfatória, ainda que irregular.
A abertura coube a 12 obras minimalistas da coleção do filadelfiano Henry S. McNeil Jr., reunida ao longo de décadas. O destaque foi uma escultura em empilhamento de plexiglass e cobre de Donald Judd, arrematada por 12,8 milhões após disputa de quatro minutos entre três compradores, novo recorde para um Judd em leilão. A surpresa ficou por conta de uma escultura modular de Richard Artschwager de 1967, estimada em 60 a 80 mil dólares, que saiu por 635 mil depois de atrair quatro compradores.
A segunda sessão foi dominada pelas obras de Gerhard Richter pertencentes à coleção da dealer Marian Goodman, morta no ano passado. O lote principal, “Kerze” (Vela, 1982), foi estimado entre 35 e 50 milhões numa aposta de que poderia rivalizar com o recorde do artista, mas foi arrematado abaixo da estimativa mínima por 35,1 milhões. Ainda assim, é o quarto preço mais alto já atingido por Richter em leilão. O consenso no mercado é de que a demanda pelo artista fora de obras troféu permanece contida. “Não há limite para quanto as pessoas estão dispostas a gastar. Mas elas simplesmente não estão gastando no meio”, disse a consultora Lorinda Ash.
Na sequência, uma pintura de Jean-Michel Basquiat, “Asbestos” (c. 1982), foi a 6,5 milhões, acima da estimativa. No trecho final da noite, o ritmo esfriou com obras de Rudolf Stingel, Richard Prince e Mark Bradford abaixo das estimativas. “Foi como se o ar tivesse sido sugado da sala”, resumiu Ash.