
O primeiro desfile haute couture de Maria Grazia Chiuri para a Fendi aconteceu na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Roma, com uma coleção que parte de um eixo preciso: o diálogo entre Karl Lagerfeld e as irmãs Fendi, revisitado pela lente da Secessão Vienense. A referência central é Emilie Flöge, designer austríaca, musa e companheira de Gustav Klimt, cuja túnica listrada em preto e branco abriu o desfile em formato de curta-metragem antes de se transformar em peça inaugural da coleção.
A paleta dominante foi o preto e o branco, e a fluidez dos tecidos foi o fio condutor da proposta. Túnicas, kimonos, casacos e peças inspiradas em lingerie elevadas à linguagem da alta costura compõem uma coleção que Chiuri descreve como uma investigação sobre o desejo: não como capricho, mas como motor permanente da criatividade. Os múltiplos ateliês da Fendi trabalharam em diálogo, o que a diretora criativa aponta como um dos aspectos mais singulares da alta costura da maison.
O desfile inaugurou também a exposição “Fendi / Karl Lagerfeld 1985. After Steps Through Work”, concebida por Chiuri e curada por Maria Luisa Frisa, em cartaz na GNAM até 25 de outubro. A coleção levanta uma questão que vai além do desfile: se essa é a nova gramática couture da Fendi, mais contida e menos extrema, como Chiuri vai equilibrá-la com a vivacidade que o prêt-à-porter da grife historicamente exige.