“A Lua”, de Tarsila, é ponto alto das inflexões da artista e do Brasil

Parte do acervo do MoMa, a pintura revela percalços do processo de modernização nacional

Já há algum tempo repito que “A Lua” (1928) é uma das melhores pinturas de Tarsila do Amaral. Sóbria e um tanto recolhida, a tela enfrenta perguntas que importunaram toda a fase antropofágica da artista e resolve boa parte delas com recursos menos acrobáticos ou ingênuos do que os trabalhos de fazendinhas, bichinhos e assim por diante. Mas a tela só consegue ser tão bem-sucedida justamente por revelar um Brasil afetivo sem escorregar no provincianismo das cores caipiras ou nas analogias dóceis que habitam boa parte da produção da pintora.

Produzida no mesmo ano do “Abaporu” e situada no auge da fase antropofágica, o trabalho desloca a energia solar e expansiva das telas mais conhecidas de Tarsila para uma pintura ensimesmada. No lugar da luminosidade solar que incide sobre a paisagem de tons mansos de outros trabalhos, um céu espesso azul ocupa quase todo o quadro numa cena montada com meia dúzia de formas curvas que parecem...

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